quarta-feira, 30 de setembro de 2015

[Sementes]

Hoje, 21/05/2015, na rádio Cultura FM de São Paulo, escutei que o Cauby Peixoto está internado em estado não muito bom. Dizia o comentarista que, o Cauby reclamava de continuar com a voz potente mas aprisionado num corpo debilitado pela passagem dos anos.
Cauby tem hoje, 84 anos de vida.

Alguns dias atrás também, assisti um documentário/entrevista sobre o Oscar Niemeyer, e como aos 104 anos, continuava produzindo e pensando com uma lucidez dada a poucos. Que dizer dos mais de noventa de Dona Ivone Lara e seus sorrisos? Esses exemplos e a miríade de outros desconhecidos.

E pensei, pois pensar, além de fazer bem, não mastiga os dentes. Sei lá, é o que dizem...
Este tipo de mentalidade, cada qual no seu metier, é única. Quantas vezes temos a sorte de compartilhar nosso tempo com gente como esta? Ou, reconhecermos quando isto acontece?
Agradecemos quando reconhecemos a partilha? Insisto na partilha e compartilhamento.
Eis algo sobre o qual temos tanto controle quanto sobre o rumo dos ventos.
Mas, e se...


(Eis-me a pensar, de novo)
Se estas mentalidades, ao compartir seu tempo, pudessem influenciar o surgimento de nova "massa crítica" como, por exemplo, era a intenção do RBrentani na pesquisa básica oncológica, quando foi diretor do LICR em São Paulo. E tantos outros exemplos iguais mundo afora.

Por outro lado, o medo da morte do Cauby, não seria amenizado pela transmissão do seu conhecimento, por informação e mentorização, de novas possibilidades?
De jovens aspirantes a... "Caubys"?
Com a vantagem de que estes mentores, replicantes de experiências, mostrariam não só a senda, mas também as veredas (caminho e atalhos) para capacidades e habilidades... pois a atitude é muito pessoal. Muito disto, como é ainda feito pelo HTorloni, no SAME do HAC com os pós-graduandos em pesquisa epidemiológica.
De graça... imortal é o conhecimento de cada um. Igual ao Quebra Nozes de Tchaikovsky.

Além dos genes, em seus filhos/as, seu gênio compartido com aprendizes. Acredito piamente que a mediocridade não continue a mesma depois de tocada pela experiência e o conhecimento compartilhado por ícones vivos de história. Mesmo que em cantares silenciosos.
Nossa história, minha e sua...

Neste, nosso mundo de negócios, onde tudo tem que ter diferencial e ROI, eles são o diferente.


E, isso faz com que o peso da velhice, esse castigo criado por nós, se torne mais leve. E a brevidade da juventude continue por mais um pouco...



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