quinta-feira, 25 de junho de 2015

Apresentações inapresentáveis

Comecei minha vida profissional, bem antes de me graduar da faculdade, trabalhando com arte e Comunicação Visual. Fazia free-lance na Editora Abril, no departamento de arte das Revistas Femininas. Desde então comecei a perceber como as imagens modulavam, por assim dizer, o que ia escrito no artigo.

Depois, passei boa parte da minha vida, aprendendo e fazendo, ilustração científica, primeiro na Faculdade de Medicina da USP e depois no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, anexo ao Hospital AC Camargo em São Paulo.
E um tônus sempre me acompanhou este tempo todo: neste campo - acadêmico-científico - as imagens significam. E, significam muito.

Depois da popularização da tecnologia no Brasil, nunca se fez tanta apresentação, sobre qualquer tema, como nos dias de hoje! Desde os tempos dos populares Harvard Graphics (da SPC - Software Publishing Corporation) e Freelance (da Lotus) até o hoje quase invicto PowerPoint (da Microsoft), o Canva e o Prezi. Recursos organizacionais (tempo, dinheiro e pessoal) tem sido colocados a disposição da elaboração de apresentações. Não importa se internas ou externas. Muito dinheiro!

Para quase todo há motivo suficiente para fazer apresentações audio-visuais.
De lançamento de novos empreendimentos (produtos ou serviços), ensino, relatórios anuais, relatórios de desempenho, marketing até a comunicação de más notícias, do tipo: "A mãe do produto X subiu no telhado".

Um exemplo, e resultado, disso é a explosão de disponibilização de apresentações no SlideShare.net na internet. Como publicado naquele mesmo portal: "Slideshare consiste em mais de 15 milhões de apresentações disponibilizadas por usuários e organizações em tópicos que variam de tecnologia e negócios até turismo, saúde e educação." E, blah, blah, blah... mais de 15 milhões de documentos é documento pra chuchú.

E, como acontece com a tecnologia, há muita coisa abaixo dos padrões mínimos. Digo como acontece com a tecnologia porque ela também é, erroneamente culpada, pelos atos cometidos por seus usuários. Em ambos os casos, atribuem-se às ferramentas os erros do seu uso. Então, "o PowerPoint está errado ou abaixo o (MS)PP!" seria o mesmo que acusar os automóveis de todo atropelamento que acontece nas cidades e não, como deveria ser mais lógico, ao descuido ou seu condutor inábil.

O fato de haver o acesso fácil à ferramenta não se transforma automaticamente em "licença para matar", usando uma ou outra ferramenta. Mas, isto parece ser uma característica sine-qua-non das gerações nascidas com este acesso. E até de alguns apresentadores nascidos antes delas.
Cada um trouxe seus próprios vícios à mesa. E estes são repetidos, horizontal e verticalmente, muito mais vezes do que seria desejável. Ou deveria ser. É só fazer e pronto!
Não...


Primeiro, o que é uma apresentação audiovisual? Alguém sabe?
Não vou me perder na descrição histórica, desde câmeras claras ou escuras e carrosséis de slides até data-shows, pois são meras ferramentas. É melhor ir diretamente à fonte, o usuário e criador, das apresentações. Sim, você que odeia fazer apresentações para sua empresa, suas aulas e congressos!

Não sei como acontece com outros desenhistas (me recuso a usar "designer", nem vem!), mas depois de tanto tempo de fazer e analisar fotografias, apresentações e ilustrações, quase que consigo sentir o humor no qual foram desenvolvidas. Algumas são muito "tensas e irritadas". Monossilábicas na sua verborreia. Inúteis à sua função inicial.

Primeiro, o lado do apresentador

A apresentação é uma representação do seu conhecimento. O explicito do implícito em você. É você quem deve saber -intimamente- o que será apresentado. Mesmo que te joguem contra a parede, poderá recitar verbatim T-U-D-O o que apresentas, e ainda citar referências e fazer análise cruzada.
"Run circles around your audience", como dizem os norte-americanos.

A apresentação é uma representação da sua empresa tanto quanto você é representante dela. E mais, eles (a plateia) poderão não olhar você mas, definitivamente, irão se lembrar da sua apresentação... se for boa. Se for ruim, irão se lembrar de você e, como disse anteriormente: "A apresentação é uma representação do seu conhecimento. etc., etc. etc." faça as contas.

Torne-se íntimo do que será apresentado ou passe a oportunidade para outro. Melhor ainda, trabalhe em equipe. Ninguém diz que não pode ser feito. Além de ser muito mais divertido.

Treine, treine, treine.

Segundo, o lado da apresentação

Ela é uma representação da sua empresa e seu potencial. Viu que não falei: produto ou serviço? Falei em potencial. O que você (apresentador) apresenta é o que vocês (você e sua empresa) podem fazer. Ela diz, silenciosamente, seu potencial de fazer mais... muito mais. E é aqui onde a coisa pega.

Como, ou a forma como ela diz, modula o seu significado. Coisa de níveis de leitura, material para outro futuro post no prelo. Uma apresentação que me atraia visualmente, me mantenha querendo ver mais disso, sempre será melhor que várias daquelas que gostaria de estar trabalhando num canteiro noutro lugar, somadas! Ou então o velho: "Death by PowerPoint". Já passamos por ai antes.

Seja simples e direto no tema apresentado. Ela (a apresentação) é a harmonia onde sua apresentação (o que você irá falar) será a melodia. Pense desta forma e as coisas irão bem. Duvido que seja aplaudido de pé, mas sempre há uma primeira vez para tudo. Esteja preparado.

Nunca envenene sua apresentação com a cópia integral de um texto qualquer. Use "muletas mnemônicas", palavras chave que inspirem seu discurso sobre o tema. Nada pior do que ser apresentado a um slide atabalhoado de texto e estar longe da porta de saída do recinto!
Minto, há coisa pior sim: tabelas escritas em fonte tamanho 8 para caber no espaço!
Taquepariu! Coisamedonha! Um dos motivos para o alto índice de alcoolismo e suicídios entre burocratas de governos.

Já que chamou o departamento de arte e não (pelamordeDeus!) sua secretária ou sobrinho favorito, faça da sua apresentação algo bonito de se ver. O departamento de arte debe ter alguém que entenda dessas coisas. Não precisa ser uma obra para ser pendurada ao lado da Monalisa no Louvre, mas algo que possa apresentar ao seu diretor-gerente e que el@ entenda.
Sua mãe não vale, ela irá gostar de qualquer coisa que você faça!

Se seu nome não é João e nem seu sobrenome é Trinta, deixe de inventar moda! Não há limites para forma de apresentação de dados ou informação mas, sempre haverá algo chamado bom senso. Use-o, é grátis e vem dentro do pacote que chamamos: humano.

Pode parecer redundante mas, a apresentação deve lhe causar orgulho mesmo antes de ser apresentada ao público consumidor. Esta sensação faz muita diferença, acredite em mim. E ela dará origem a uma relação diferente entre você, sua platéia e sua apresentação.
Você gostará de apresentar e eles gostarão de ver.


Muitos apresentadores confundem público-alvo com alvos de canhão.
E, ingenuamente, ignoram o quanto conseguem prejudicar sua empresa com uma apresentação ruim. Para muitos não há relação alguma entre uma coisa e outra. Não conseguem perceber.


Sim, basta! Tem gente fazendo apresentações muito boas no mercado. Fazem disso um modo de vida tanto quanto antigamente os carvoeiros ganhavam a vida com carvão. De forma alguma se culpa a ferramenta pelo seu mau uso. E assim como há facilidade de acesso à ferramenta, também há facilidade de acesso a quem saiba usá-la. Estamos todos ligados em rede, não sabia?

Escolha um tema, qualquer tema, entre aqueles 15 milhões de apresentações disponibilizadas no SlideShare e perceba como há uma variação, não somente de cores e formas, mas daquele nível de linguagem que falava no começo. Apresentações que gostaríamos fossem nossas e outras que desejamos jogá-las no Tietê (coitadinho do rio).

Este post pode parecer veículo de propaganda para o SlideShare, mas muito longe disso. A razão é até banal demais. Ultimamente tenho sido exposto a muitas apresentações que me levaram a gritar, como a Mafalda acima. E, ao mesmo tempo tenho participado de confecção de algumas que me deixam muito orgulhoso. De onde percebi a diferença entre umas e outras e a facilidade que seria corrigir ou evitar esses erros.

Divirta-se, tem 15 milhões de documentos para ver...


SlideShare por ele mesmo

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quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Nova Hipocrisia

(aprés Pondé)

Na época das vacas gordas, todos votaram no PT.
Cantavam loas e saíram com ramos. "Nunca estivemos tão bem!", enquanto apanhavam o maná dos céus. E ficamos descuidados, indolentes, insolentes.
O que fazer, somos assim.

Mas, na hora de assumirmos as rédeas de nossa própria vida, vemos que ao igual que naquela antiga cidade árabe de "Dámascusta"; as coisas não são tão bem assim.

E aí, meu amigo, vaiamos escondidos na multidão, conclamamos passeatas, queimamos ônibus, depredamos edifícios e monumentos à história e ao país. A fila nos aeroportos nunca foi tão grande.
Nas férias.
Desejamos ir todos a Miami, meca das compras e da civilização. Pois a culpa sempre é de outros, nós somos as vítimas. "Eles" fizeram tudo de errado, que se virem! Enquanto erramos no troco, furamos a fila, e fazemos do 'levar vantagem' um estilo de vida kosher.

De forma alguma estou defendendo o PT, como partido é tão falho e ladino quanto qualquer um de todos os outros. É composto pelo mesmo estofo e tem demonstrado o mesmo discurso proselitista. A ideia, como quase qualquer outro ideal, é boa. A execução... depende de uma soma de todas as vontades e de uma identidade que recuperamos temporariamente durante o Carnaval e já até perdemos no futebol. Antes sabíamos o valor, hoje discute-se o preço.
Algo sobre o qual não temos mais quase nenhum controle. "Depende de coisas que também não controlamos..." disseram recentemente.

Descamisados, sairemos a caçar ursos da mesma forma que já saímos antes à caça dos marajás, e o resultado será exatamente o mesmo.


segunda-feira, 8 de junho de 2015

Uma questão de Gênero

Homem e Mulher são exatamente iguais e possuem o mesmo valor.
No entanto, historicamente, a mulher já foi tratada como posse, algo um pouco mais íntimo e familiar, do que vacas e cabras.
Aos poucos, e por necessidade premente, foi se descobrindo, que a força da mulher era quase tal ou tanta, quanto à do homem. Às vezes até maior.
Principalmente, nas épocas de conflito, onde a maioria dos homens ia para os campos de batalha e quem ficava na retaguarda, mantendo a infraestrutura, eram na sua maioria; mulheres, crianças e velhos.


E eis aqui onde começa este post:
Da sopa primal, antes do início dos tempos, uma célula decidiu uma mutação e todas as células nas quais esta se dividiu e deram origem ao que hoje chamamos homem (Mensch).

O homem não se divide sozinho como suas células primordiais, mas voltando atrás, ele usa uma célula, um ovo, para sua reprodução. Isso significa que há gêneros, o masculino e o feminino. Mas, isso não significa, contudo, que haja precedência entre eles. Eles são exatamente iguais, só que diferentes. Se é que dá para entender. Justamente nas características físicas, e a não ser por um ou outro órgão. Exatamente os reprodutores.

Aqui um pequeno aparte: os velhos e as crianças, são tratados como uma periferia do que seria o gênero feminino. Acredita-se que, produzam pouco. E eis aqui o paradoxo. Quem ensina e quem aprende, não são considerados. Ainda bem. Intangíveis, intocáveis...


Voltemos ao assunto, dizia que, em tempos de conflito as mulheres assumiam o posto dos homens e elas mostraram, cabalmente, que podiam fazer, e em alguns casos, até melhor do que o homem. A Revolução Industrial, acabou por definir mercados e o consumo necessário para a existência desses mercados, acabou por descobrir, também que a mulher que trabalhava, a mão-de-obra, era um mercado consumidor.

Findos os conflitos, descobria-se que os mercados aumentavam pela simples razão que diminuia a incidência de morte nos beligerantes. Morria-se menos, consumia-se mais. As mulheres que não participaram nos conflitos aumentavam o número e o mercado, resumidamente, 'explodiu'.

Levou um tempo, quase tão grande quanto aquele das mutações unicelulares, no caldo primal, para que a mulher começasse a assumir postos de liderança.



Não mais um sub-gênero. Apesar que ainda existem bolsões populacionais onde as mulheres continuam sendo trocadas por camelos, embrulhadas em roupões feito pamonha. Ou Kinder-ovo, onde você só descobre o brinquedo que ganhou, depois de levá-lo para casa.
Não somente nesses locais fundamentalistas, é que encontramos esta percepção da mulher como parte do patrimônio. Ainda escondidos, aqui e ali, dadas as condições certas, essa percepção é demonstrada até nas sociedades mais avançadas.



Mas, eis que a mulher começa a ocupar os espaços antes reservados somente aos homens. Muitas chegam a ser líderes nos seus países. O que antigamente era exceção a regra, hoje não mais é um susto de Indiras, nem surpresas de Merckel. Hoje, a Hilary Clinton, nos acena com uma mulher ocupando o cargo mais poderoso de toda a terra, a de Presidente dos Estados Unidos da América.

Não que isso seja algo novo, nem surpreendente. A história nos mostra tais figuras como: Cleópatra, Elizabeth I e a Imperatriz Viúva da China, Tseu-Hi, Catarina das Rúsias e Vitória de todo o resto.


Mais recente, nos anos 60, Indira Gandhi, governava a Índia, Meier governava Israel, (Bunny) Bhutto no Pakistan, a mulher do Camarada Mao, Margareth Tatcher na Ingleterra, Imelda Marcos, Perón na Argentina, no Chile e até no Brasil de hoje.
Mulher no comando deixou de ser surpresa.
Veja uma lista das líderes mundiais femininas nesta página (http://www.guide2womenleaders.com/Premier_Ministers.htm), e surpreenda-se. Pois estas são as recentes.



O que elas irão fazer com aquele caldo primal, é uma outra história. E o que, Hilary Clinton, poderá fazer num país, veladamente machista, como os Estados Unidos? Será uma surpresa - talvez - agradável.
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