sábado, 26 de dezembro de 2015

Hoje e Sempre

Hoje
consigo te ver,
quando não puder
hei de te ouvir,
quando não conseguir?
Poderei respirar teu perfume
quando não der?
sentirei teu calor.

E, quando nem isso mais for possível?

Saiba que estarei sempre contigo
no calor que te abraça,
nos perfumes que sentes,
nos sons que ouves,
na luz que ilumina teus sonhos.
Até voltar a sermos um.
Sempre...



Para E.K.S.
(1950 - 2016)

domingo, 13 de dezembro de 2015

Tempestades e Copos d'água

Infantilmente me surpreendo quando, pensando em nada, percebo padrões ou imagens que parecem invisíveis aos olhos dos outros. Antigamente me assustava e fazia questão de esquecer ou fingir que não vi. Hoje, bem mais velho, aceito, e curioso presto atenção enquanto mantiver meu interesse.
Pouco tempo depois esqueço... pouco poderei fazer.





Ontem, prestei atenção na avalanche de notícias que me/nos atingia sobre o "Escândalo da Volkswagen" e suas intercorrências (o pedido de desculpas e a demissão do presidente da empresa nos Estados Unidos, o questionamento do uso de diesel, etc.) mundiais. Intrigado, comecei a pesquisar e pensar no assunto.


Ao mesmo tempo pensei no alcance da Volkswagen, o tamanho da empresa, os interesses que atinge ao redor do mundo. É uma empresa muito grande. Quase todo mundo usa seus produtos vez por outra. O alcance desse escândalo iria além-fronteiras, e não se deteria somente nos Estados Unidos.

Alguém deve ter pensado neste esquema. E esse alguém deve ter saído, não dentre os gestores-diretores-administradores, pois estes mal pensam em e pouco sabem como funciona um motor a combustão, em como o veículo é usado, nem as relações do uso do veículo com todo o resto (meio ambiente incluído). As relações de emissão de poluentes, subprodutos da combustão interna do diesel. A ideia para estes aparelhos anexados aos motores e os processos executados por eles para fingir a redução da emissão, não saiu da diretoria. Foi uma proposta aceita pela diretoria, sim, como genial na sua simplicidade e economia.
Mas, além disso; nada.
Inocentes por ignorância. (Onde já escutei isso?)



A solução veio de baixo... minto, do meio na hierarquia empresarial.
Algum engenheiro gaiato da P&D, dos tantos que há na Volkswagen e na BMW pelo mundo afora, confrontado com o desafio de reduzir as emissões, sem perder o desempenho, mudou um pouco a pergunta. Foi, inocentemente de: "como reduzir emissões poluentes sem perder desempenho" a "como fazer com que o motor reduza emissão em determinadas condições" (no teste de emissão de poluentes, por exemplo).

Para um engenheiro-mecânico essa é uma proposta infantil de tão fácil. Poder ia-se, com o mesmo expediente, fazer com que o condutor-proprietário do veículo, fosse avisado de problemas de desempenho e, destarte, maior emissão de poluentes. As luzes todas do painel de controle do veículo estão aí, exatamente, para isso; avisar das condições do veículo.

Não se perderia nada... ou pouco, em termos de tempo na oficina para ajustes e troca de componentes.
Todos os motores da Volks do mundo, um serviço gentilmente oferecido pela Volks aos seus clientes!
Mas, não... é muito mais fácil e barato ser esperto. Afinal, quem iria descobrir?



Foi uma proposta aceita pela diretoria, sim. Mas, a proposta, a solução, veio de baixo... não de baixo, veio do meio da hierarquia empresarial. Algum engenheiro pensou; como fazer com que os motores poluíssem menos. Deve ter apresentado a ideia no seu grupo de práticas, no departamento de P&D. E devem ter lançado essa questão mundialmente, todos os motores do mundo fariam a mesma coisa. A solução viria de alguma parte. Teria que vir.

Para reduzir sumariamente a emissão de poluentes do motor a Diesel há fórmulas matemáticas para conceber. Mas, essas mesmas fórmulas dizem que os motores ficariam muito mais fracos, poderiam fazer menos.

Aí veio uma outra pergunta: "como fazer com que os motores poluíssem menos mantendo a mesma potência?" Alguém deve ter pensado nisto daqui e, pensando, pensando, modificou sutilmente a questão: "como diminuir as emissões aos padrões exigidos nos testes?" e "como fazer com que os motores reconhecessem o teste de emissão?" Para um engenheiro mecânico, que somente trabalhe com motores a diesel, esta ideia não é assim tão descabelada, é possível.
Não é possível?

Uma ideia simples porque apesar de, nós míseros mortais, insistirmos em pensar no automóvel como uma entidade única, para um engenheiro -mecânico, ainda por cima- ele chega a minúcias de arruelas de pressão, por exemplo. A falta de uma arruela de pressão, diminui ou aumenta o desempenho do veículo. A questão de o teste ser mecânico, reduz a complicação para alguém que esteja acostumado a testes mecânicos. Não se modifica o motor, não se modifica o consumo, se cria um programa que, dadas as condições do teste de emissão de poluentes, o motor inteiro funcione diferente. As emissões de gases subprodutos da combustão a ser mensurados pelo teste são reduzidas, passa-se no teste. As condições voltam ao normal... o motor também. Para um engenheiro-mecânico, isto daqui ele faz (ou deveria saber fazer) dormindo.
Se não consegue fazer essa equação é melhor mudar de profissão.

Quer ver um exemplo simples?
O motor do Bentley Continental, modelo inglês, tem 8 (oito) pistões. Um dos maiores e mais potentes motores no mercado. A baixa rotação, ele automáticamente desativa 4 (quatro) desses pistões. E, ninguém dá pela coisa. Precisando de mais potência, ativam-se os pistões desligados e pronto. Coisas de rpm.. (Veja as especificações do motor aqui.)


Mas, voltemos à Volkswagen.
Os engenheiros têm a solução. A Volks obtêm vários produtos a partir dela.
Primeiro, e mais importante: marketing. "Os motores da Volks emitem menos poluentes, façam o teste." Hmm... só isto daqui poderia aumentar as vendas. Ver as vendas como um problema, é uma forma de ver toda a administração de uma empresa como a Volks. Manter essa estratagema, ardil, essa fraude é que são elas.
Se não me engano, a Fiat italiana, está fazendo propaganda na televisão de um veiculo que muda as características de funcionamento do motor ao girar de um botão. E, ninguém se pergunta, até onde esta adaptação poderia chegar?

Todos os motores iguais, resolvido o problema. Tanto que não dão pela coisa quando pedem para testar motores em ambiente controlado. Ambiente como o que acontece no teste de emissão de poluentes, por exemplo. Algumas trapaças mal deixam rastros, dizem Levitt&Dubner.

A estratagema foi descoberta acidentalmente, por comparação. O diretor da Volks pediu desculpas, o diretor da Volks foi demitido um dia depois do pedido.
Um tapinha nas mãos da Volkswagen e nada mais. Não precisa de nada mais. A indústria alemã está ali para isso.

Por outro lado, e bem mais perto da gente.
Desde pouco antes da reeleição da (Re)Presidenta Dilma Rousseff, e muito provavelmente por causa disso, está em curso o que se passou a chamar de "Operação Lava Jato". Que começou como rotineira investigação de lavagem de dinheiro e se transformou em uma entidade política, em assunto de discurso, e até em ponto de estudo jurídico. Alguns chamam de "vergonha internacional" (pessoalmente, não concordo). Vários países passaram por aqui. Aceito mais como depuração que defeito. Itália teve suas "mani pulite", e muito antes disso, um governador da NY, certa vez, chegou a afirmar: "É finita la cuccagna!". Mas todos esquecem.

Alguns acham que isto é produto local, como se o ser humano acontecesse somente no Brasil.
Se transformou num processo de corrupção, onde empresas privadas e a diretoria da maior empresa estatal, a Petrobrás, estão diretamente envolvidos. Há, lógico, corolários menores aqui e ali, até agora esquecidos e não nomeados. Escaramuças esparsas, mas não passam disso; diversão para desviar do propósito.


Resumidamente, empresas do setor privado pagavam propina a políticos, partidos políticos e diretores indicados por políticos em postos-chave na Petrobras para obter vantagens e contratos com a empresa nas suas (deles) próprias condições. Resumindo ainda mais; a Petrobras pagava muito mais caro (incluindo-se aí, a propina de todo mundo) por serviços prestados subpar. Um claro desvio de dinheiro público de proporções ainda a definir contabilmente... mas, muito provavelmente; Bíblicas.
Arts. 157 e 312 a 327 do Código Penal. Art. 316, particularmente, para começo de conversa.


Quase 100% da mídia brasileira, culpa a Petrobrás e a (Re)Presidenta Dilma. Ao ponto de alguns políticos ligados à oposição, a agendas Neoliberais muito particulares, e esquecendo posturas históricas, já terem projetos prontos para fatiar e vender a empresa. E, sob o pretexto do Estado Mínimo desfazer-se dela, como já o fizeram antes com comunicações, bancos estaduais, energia elétrica e água.
 
Mais uma vez me pergunto: "será que ninguém está prestando atenção ao movimento?"






Referências

Sandro Pozzi, Engenheiro dos EUA avisou há um ano sobre a fraude da Volkswagen - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/23/economia/1442989565_895952.html, El País, 25.09.2015.
Alvaro Sanchez, Os pontos-chave para entender o escândalo da Volkswagen - http://brasil.elpais.com/brasil/2015/09/22/economia/1442929060_472526.html, El País, 22.09.2015.
Paulo Moreira Leite, O Castelo de Cartas da Lava Jato, - http://jornalggn.com.br/noticia/o-castelo-de-cartas-da-lava-jato-por-paulo-moreira-leite,
André Araújo, A criminalização das consultorias -
Folha, Entenda a Operação Lava Jato, http://www1.folha.uol.com.br/poder/2014/11/1548049-entenda-a-operacao-lava-jato-da-policia-federal.shtml
etcetera.
...

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Mercados em Campanha

Faz alguns meses escrevi o texto a seguir, inocentemente achando que acabaria por ali.
Os desdobramentos (as in ripples) se fizeram sentir mais evidentes e claros. Porém deixando fugazmente a descoberto intenções escondidas. Por isso, antes de esquecer, volto ao tema...



Acabaram-se, por fim, as campanhas políticas para eleger funcionários do executivo. 
Que alívio...  Bom, nem tanto assim.
Agora começa o desmonte de uma máquina e a montagem de outra muito diferente. O "set up" logístico que poucos conhecem e muito menos imaginam que consuma muitos recursos (tempo, dinheiro, e principalmente, mão de obra).
Estratégia, segundo Mintzberg, trata-se da forma de pensar no futuro, integrada no processo decisório, com base em um procedimento formalizado e articulador de resultados.
Essa é a simplificação que consta no Wikipédia.
Mas, cada um tem sua própria definição para o que seja "estratégia" e, muitos mais, sobre como aplicá-la. Vemos estratégias sendo praticadas (sim, pois são fluidas, não fixas, logo se praticam. Essa é minha definição pessoal) todos os dias. Seus objetivos definem seus processos e, às vezes até se confundem com eles. Quase como no jogo do ovo e a galinha; quem chegou primeiro?



Pequeno aparte; não podemos ser complacentes com o que está errado. Temos que adotar limites de ética de execução na estratégia. Há, certamente, formas corretas de fazer as coisas, até mesmo na política. Ainda que pareçam impossíveis. E ainda, os limites são claros entre a ignorância e a contravenção. Corrijo-me: entre a conivência e o crime. O corrupto é tão culpado quanto o corruptor. E, ambos devem ser responsabilizados pelos seus atos de acordo com o crime cometido. Não importando, idade, gênero nem conta bancária. Todos nascemos iguais, que alguns queiram ficar mais "iguais" que os outros é um desvio de comportamento, usualmente, chamado: ganância.
E confundido com ambição.
Feito isto, voltemos à nossa programação rotineira...



Começam as retaliações.
O Congresso hoje recusou o primeiro ato da Presidenta Dilma, reeleita na ultima semana. O motivo alegado para a recusa; a interferência nos "poderes" da Casa. Traduzindo em miúdos, muxoxos de ressentimento pelo resultado das urnas nos respectivos estados dos congressistas. Alguns sentiram-se abandonados pela estrutura do governo durante a campanha eleitoral, outros traídos nas suas pretensões políticas. Outros, perderam, pura e simplesmente, o pleito em questão. E exigem a revanche, melhor de três, etc.
Em qualquer um dos casos, aliados transformados em opositores. Opositores transformados em Salvadores da Pátria.

Outrora aliados, aqui não importava qual o tema apresentado, nem sua repercussão, sua posição seria invariavelmente a contraria. Mostrar ao governo seu desgosto e postura pessoal. Não mais fingindo-se representantes do povo, mas como indivíduos isolados, frustrados nos seus interesses mui particulares. Sob justificativa discutível recusaram proposta que incentivava a maior participação popular na gestão politica (sic). O importante são eles; os políticos de carreira.
Mutatis mutandis, sempre e quando... tudo permaneça igual.

A Casa do Povo transformou-se em verdadeira Caverna do Alí Babá, enquanto interesses particulares são postos para secar como roupa suja lavada em rio, regato, veio d´água, na tinturaria.
(Porque a água acabou!)

E ainda dizem que o jogo é proibido no Brasil, aqui enquanto roubas ou recebes propina por assinar -ou por não assinar, dá na mesma- tu ganhas e, se és pego com a mão no erário, recebes o benefício da 'Delação Premiada'. Algo só comparável ao prêmio do BBBn, com direito a cartão de 'Saia da Cadeia Livre e não pague, nem devolva o que roubou'.
No fim, serás re-eleito mesmo por outro estado qualquer.

Os outros escândalos, correntes e diuturnos, são aqueles que, num movimento em espiral vem sendo agendados por interesses velados aos olhos do país. Se prestarmos atenção poderemos ver padrões que conduzem -sempre- para fora. Quem se beneficia da exposição e cobrança são os mesmos agentes de sempre; inomináveis grupos de interesses particulares. Exemplares das tais "Forças Ocultas", cantadas por Quadros.

Não defendo que eles (escândalos) não existem. Existem e temos que dar um basta de qualquer maneira. Acabar com essa ferida que nos sangra, e acabar com quem nos fere. Mas, cuidado. É só seguir o desenvolvimento e prestarmos atenção em quem será o beneficiado final. O País, o povo, nós, o mercado, quem? É um campo minado isto. E estas minas não são de fabricação nacional!
Cuidado.

Tudo se reduz a Poder. E Poder vem do dinheiro, e o dinheiro vem... do mesmo lugar de sempre; nós que pagamos. Não nos iludamos: somos veiculo de dinheiro. Não precisamos tê-lo, é só fazê-lo fluir. Esse fluxo nos mantêm vivos, com esperanças para poder passá-lo à frente. Alguém nos passa e nós passamos para alguém que passa para... como no antigo brinquedo infantil. Não somos fim, somos meio.
Alguns, somos menos ainda.
Brasileiros...





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sábado, 10 de outubro de 2015

O Ovo - Andy Weir (autor)


The Egg
Written by Andy Weir
Translated by Carlos Buosi

Você estava a caminho de casa quando morreu.
Foi em um acidente de carro. Nada muito chamativo, mas infelizmente fatal. Você deixou sua esposa e duas crianças. Foi uma morte sem dor. Os para-médicos tentaram de tudo para te salvar, mas em vão. Seu corpo foi completamente destruído, você já esteve melhor, pode acreditar.
E foi aí que você me conheceu.
"O que-... o que aconteceu?" Você perguntou. "Onde estou?"
"Você morreu," Eu disse, com naturalidade. Não fazia sentido conter as palavras.
"Havia um caminhão.. e ele derrapou.."
"Isso aí," Eu disse.
"Eu.. Eu morri?"
"É. Mas não se sinta mal. Todo mundo morre," Eu disse.
Você olhou em volta. Não havia nada. Só eu e você. "Que lugar é esse?" Você perguntou. "Isso é o paraíso?"
"Mais ou menos," Eu disse.
"Você é Deus?" Você perguntou.
"Isso ai," Respondi. "Eu sou Deus."
"Meus filhos... minha mulher," você disse.
"O que tem eles?"
"Eles ficarão bem?"
"É isso que eu gosto de ver," Eu disse. "Você acabou de morrer e sua maior preocupação é a sua família. Isso é mesmo uma coisa boa."
Você olhou pra mim com um certo fascínio. Pra você, eu não parecia com Deus. Eu aparentava ser um homem qualquer. Ou uma mulher. Uma figura autoritária meio vaga, talvez. Mais como um professor de português do que o Todo Poderoso.
"Não se preocupe," Eu disse. "Eles ficarão bem. Seus filhos lembrarão de você como um pai perfeito em todos os sentidos. Eles não tiveram tempo de sentir algo ruim por você. Sua mulher vai chorar, mas vai ficar secretamente aliviada. Pra ser sincero, seu casamento estava desmoronando. Se serve como consolo, ela vai se sentir muito culpada por se sentir aliviada."
"Ah.."Você disse. "Então o que acontece agora? Eu vou para o Céu, pro Inferno ou alguma coisa do tipo?"
"Nenhum dos dois" Eu disse. "Você vai reencarnar."
"Ah," você disse. "Então os Hindus estavam certos,"
"Todas as religiões estão certas de alguma forma," Eu disse. "Venha comigo."
Você me seguiu enquanto caminhávamos pelo vazio. "Aonde estamos indo?"
"A lugar nenhum específico," Eu disse. "Só gosto de andar enquanto conversamos."
"Então que sentido isso faz?" Você perguntou. "Quando renascer, eu vou esquecer tudo, não é?" Um bebê. Então todas as minhas experiências e tudo que fiz nessa vida não significaram nada."
"Não é por aí!" Eu disse. "Você tem dentro de você todo o conhecimento e experiências de todas as suas vidas passadas. Você só não lembra dessas coisas agora."
Eu parei de andar e coloquei as mãos em seus ombros. "Sua alma é mais magnífica, linda e gigantesca do que você possa imaginar. Sua mente humana pode apenas entender uma pequena fração do que você é. É como colocar o seu dedo em um copo de vidro e ver se está quente ou frio. Você coloca uma pequena parte de você em jogo, e quando tira, você percebe que aprendeu tudo que podia por lá.
Você foi um humano nos últimos 48 anos, então ainda não deu tempo de você perceber o resto da sua imensa consciência. Se nós ficarmos aqui por muito tempo, você começará a lembrar de tudo. Mas não faz sentido fazer isso entre cada vida."
"Quantas vezes eu já reencarnei, então?"
"Ah, muitas. Muitas e muitas. E em muitas vidas diferentes." Eu disse. "Dessa vez, você será uma camponesa chinesa no ano 540 D.C."
"Es-espera aí, como?" Você gaguejou. "Você está me mandando de volta no tempo?"
"Bem, tecnicamente. Tempo, da forma como você conhece, só existe no seu universo. As coisas funcionam de outro jeito de onde eu venho."
"De onde você vem?" Você disse.
"Ah claro, " Eu expliquei "Eu venho de algum lugar. Um lugar diferente. tem outros como eu. Eu sei que você quer saber como é lá, mas honestamente, você não iria entender."
"Ah," Você disse, um pouco desanimado. "Mas espera. Se eu reencarno em diferentes lugares no tempo, eu poderia ter interagido comigo mesmo alguma vez."
"Claro. Acontece o tempo todo. E já que as duas pessoas tem apenas consciência da sua própria vivência, você nunca sabe que está acontecendo."
"Então, qual é o sentido?"
"Tá falando sério?" Perguntei. "Sério? Você está me perguntando o sentido da vida? Isso não meio clichê?"
"Bem, é uma pergunta plausível," Você persistiu.
"Eu te olhei nos olhos. "O sentido da vida, motivo pelo qual eu criei todo o seu universo, é para que você amadureça."
"Você tá falando da humanidade? Você quer que nós amadureçamos?"
"Não, somente você. Eu fiz todo esse universo para você. Para que em cada nova vida você cresça, amadureça e se torne um intelecto maior."
"Só eu? E as outras pessoas?"
"Não há mais ninguém," Eu disse. "Nesse universo, só existe você e eu."
Você me olhou com um olhar vazio. "Mas e todas as pessoas da Terra..."
"Todos são você. Diferentes encarnações de você."
"Que? Eu sou todo mundo?"
"Agora você está entendendo, "Eu disse, te dando uma tapinha nas costas.
"Eu sou todo ser humano que já viveu?"
"Ou quem irá nascer, sim."
"Eu sou Abraham Lincoln?"
"E você é John Wilkes Booth, também, " Completei.
"Eu sou Hitler?" Você disse, horrorizado.
"E também é os milhões que ele matou."
"Eu sou Jesus?"
"E também é todos que o seguiram."
Você ficou em silêncio.
"Toda vez que você enganou alguém, " Eu disse, "você estava enganando a si mesmo. Cada ato de bondade que você teve, foi feito para consigo mesmo. Cada momento feliz e triste que você teve com qualquer pessoa foi, e será, aproveitado com você."
Você ficou pensando por um longo tempo.
"Por quê?" Você me perguntou. "Por que fazer tudo isso?"
"Porque algum dia, você será como eu. Porque é isso que você é. Você é um dos meus. Você é meu filho."
"Nossa," você disse, incrédulo. "Quer dizer que sou um Deus?"
"Não, ainda não. Você um feto. Você ainda está crescendo. Quando tiver vivido todas as vidas humanas em todas as eras, você terá crescido o suficiente para nascer."
"Então todo o universo," você disse, "é somente..."
"Um ovo." Respondi. "Agora é hora de você ir para sua próxima vida."
E eu enviei você de volta.
...

Pronto.

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

[Sementes]

Hoje, 21/05/2015, na rádio Cultura FM de São Paulo, escutei que o Cauby Peixoto está internado em estado não muito bom. Dizia o comentarista que, o Cauby reclamava de continuar com a voz potente mas aprisionado num corpo debilitado pela passagem dos anos.
Cauby tem hoje, 84 anos de vida.

Alguns dias atrás também, assisti um documentário/entrevista sobre o Oscar Niemeyer, e como aos 104 anos, continuava produzindo e pensando com uma lucidez dada a poucos. Que dizer dos mais de noventa de Dona Ivone Lara e seus sorrisos? Esses exemplos e a miríade de outros desconhecidos.

E pensei, pois pensar, além de fazer bem, não mastiga os dentes. Sei lá, é o que dizem...
Este tipo de mentalidade, cada qual no seu metier, é única. Quantas vezes temos a sorte de compartilhar nosso tempo com gente como esta? Ou, reconhecermos quando isto acontece?
Agradecemos quando reconhecemos a partilha? Insisto na partilha e compartilhamento.
Eis algo sobre o qual temos tanto controle quanto sobre o rumo dos ventos.
Mas, e se...


(Eis-me a pensar, de novo)
Se estas mentalidades, ao compartir seu tempo, pudessem influenciar o surgimento de nova "massa crítica" como, por exemplo, era a intenção do RBrentani na pesquisa básica oncológica, quando foi diretor do LICR em São Paulo. E tantos outros exemplos iguais mundo afora.

Por outro lado, o medo da morte do Cauby, não seria amenizado pela transmissão do seu conhecimento, por informação e mentorização, de novas possibilidades?
De jovens aspirantes a... "Caubys"?
Com a vantagem de que estes mentores, replicantes de experiências, mostrariam não só a senda, mas também as veredas (caminho e atalhos) para capacidades e habilidades... pois a atitude é muito pessoal. Muito disto, como é ainda feito pelo HTorloni, no SAME do HAC com os pós-graduandos em pesquisa epidemiológica.
De graça... imortal é o conhecimento de cada um. Igual ao Quebra Nozes de Tchaikovsky.

Além dos genes, em seus filhos/as, seu gênio compartido com aprendizes. Acredito piamente que a mediocridade não continue a mesma depois de tocada pela experiência e o conhecimento compartilhado por ícones vivos de história. Mesmo que em cantares silenciosos.
Nossa história, minha e sua...

Neste, nosso mundo de negócios, onde tudo tem que ter diferencial e ROI, eles são o diferente.


E, isso faz com que o peso da velhice, esse castigo criado por nós, se torne mais leve. E a brevidade da juventude continue por mais um pouco...



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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

A internet de 1

Segmentação comportamental (Behavioral targeting) compreende uma gama de tecnologias e técnicas (algoritmos) utilizadas por editores de sites e anunciantes on-line que visam aumentar a eficácia da publicidade utilizando informações de comportamento de navegação do usuário.

Altavista (15/12/95 até 08/07/13) veio antes do Google, Mosaic e Netscape bem antes do Explorer.



Faz alguns anos comentei com um amigo que "as informações novas eram, quase sempre, trazidas pelos nossos elos fracos." Uma vez que os elos fortes, quanto mais fortes fossem, mais pensavam e "sabiam" como nós.
Explico; elos fortes seriam, no caso de relacionamentos interpessoais, aqueles indivíduos com os quais temos contato rotineiro. Aqueles com os quais temos mais afinidades e um contato social muito mais intenso. Família ou a turma do churrasco do fim de semana, por exemplo.

Por outro lado, os elos fracos são aqueles conhecidos com os quais raramente encontramos ou com quem falamos de vez em quando. Estes, particularmente, são as fontes de notícias e ideias novas.


Por que?
Simples; porque diferente dos elos fortes, camaradas, amigos e família, eles não necessariamente pensam como nós. Pensam diferente, têm visões diferentes dos mesmos assuntos. Esta diferença é um dos germes de novas ideias na nossa cabeça.
Diferença faz bem... no caso.


Quando fazemos busca na internet e usamos os algoritmos inclusos nos softwares de pesquisa (todos eles desde 1995), deixamos trilhas sobre gostos e costumes. Os softwares recolhem esta informação avidamente, nos famosos cookies. Aos poucos, sem perceber, criamos um 'avatar de pesquisa' -chamemo-lo assim- que nos identifica e marca nossos gostos e respostas.

Cada vez mais, vemos como respostas às nossas inquirições, o que gostaríamos de ter como resposta. Sim, pois modulados por nossas próprias perguntas e as respostas que escolhemos anteriormente para elas, os algoritmos favorecem as respostas que se enquadrem aos nossos padrões ou gostos.
Respostas feitas para nós... especificamente. Não importa (mais) a pergunta.


O que nos leva gentilmente a (não)perceber que, a cada escolha, abrimos mão das alternativas. Cada vez mais, menos somos apresentados a elas. Chega um tempo em que não farão mais parte do repertório imediato. Não porque não existam nem sejam válidas. Mas, porque não são (por falta de um melhor termo) lógicas.

Nós não as veremos mais. As eliminamos, pois foi isso que fizemos, das mais relevantes. Os algoritmos que nos respondem avaliam a frequência de rejeição (quantitativa) das opções e as relegam a posições mais afastadas (qualitativa). Nos levando assim para uma ignorância escolhida a dedo por nós mesmos.
Desculpem o trocadilho: uma "ignorância digital".


As relações pontuais e conscientes que são o aprender, na ausência destas opções ficam "biased" a respostas conhecidas. Percebe agora o horizonte que se descortina? A inovação será cada vez mais difícil. Dados e informação nova ou diferente, expostos ao que já achávamos conhecer, são a base para o aprendizado e a inovação.


Não defendo a hipótese de que não mais haverá o aprendizado e a inovação. Longe de mim tal mentecaptice. Mas sim, de que a falta, ou diminuição, desta salutar exposição e contato, fará com que um e outra sejam mais difíceis e estreitas.


Ainda mais, que se perca a percepção da relação entre as coisas (causas e efeitos) todas. Prevejo essa separação cada vez maior. Tran-Duc Thao nos diz: "os esboços simbólicos, providos pelo movimento de cooperação, prolongam a atividade própria do sujeito e abarcam a totalidade da tarefa comum, levando cada sujeito a tomar consciência de que a universalidade é o verdadeiro sentido de sua existência singular". (1951)


A tecnologia, que deveria nos fornecer asas, acaba por impor-nos grilhões. À resposta de milhares de opções, optamos imediatistas, pelos primeiros 3, 5 ou 10 apontes mostrados pelo Google, Ask ou Yahoo. Quando muito...


Não se ofenda com a ideia. Afinal, não é tanto um "pin-point pessoal", mas, um agrupamento por qualificação (se preencher certas características, el@-você-eu, será incluído). Uma segmentação comportamental, então. Lembra quando, faz pouco tempo, o Facebook ventilou a ideia de vender informação para marketing?
Acha que isso é novo? Acha que somente o
Zuckerberg faz isso?
...
E ainda há outros 'senões' no processo.



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segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Cultura organizacional

Cultura Organizacional, são os valores e comportamentos que contribuem para o ambiente social e psicológico únicos de uma organização.


A cultura organizacional inclui as expectativas da organização, suas experiências, sua filosofia e os valores que a mantém unida, e é expressa na sua auto-imagem, seu funcionamento interno, as interações com o mundo exterior, e suas expectativas futuras. Baseia-se em atitudes compartilhadas, crenças, costumes e regras explicitas e tácitas que foram desenvolvidas ao longo do tempo e são consideradas válidas. Também chamada de cultura corporativa, é evidente:

  1. Nos modos da organização conduzir seus negócios, tratar seus funcionários, seus clientes e a comunidade em geral;
  2. Em que medida há liberdade e é permitido a tomada de decisão, o desenvolvimento de novas ideias e a expressão pessoal;
  3. Em como o poder e o fluxo de informações flui através de sua hierarquia, e;
  4. No quanto os funcionários são comprometidos com os objetivos coletivos.

Ela afeta a produtividade e o desempenho da organização, e fornece orientações sobre o atendimento ao cliente e serviço, qualidade e segurança dos produtos, atendimento e pontualidade, e preocupação com o meio ambiente.
Ele também se estende à métodos de produção, marketing e práticas de publicidade, e a criação de novos produtos.

A cultura organizacional é única para cada organização e uma das coisas mais difíceis de mudar.


A Gestão estratégica analisa as principais iniciativas tomadas pela alta administração de uma empresa em nome dos proprietários, envolvendo recursos e seu desempenho em ambientes internos e externos.
Na teoria e na prática de gestão, uma distinção é feita frequentemente entre gestão operacional e gestão estratégica.

A gestão operacional está preocupada principalmente com as respostas para as questões internas, tais como a melhoria da eficiência e controle de custos.

A gestão estratégica, por seu lado, está preocupada principalmente com as respostas para as questões externas, como em compreender as necessidades dos clientes e responder às forças competitivas. O amplamente citado professor da Harvard Business School, Michael Porter, identifica três princípios subjacentes de posicionamento estratégico:
  • a criação de uma "posição única e valiosa";
  • fazendo trade-offs, escolhendo "o que não fazer";
  • e a criação de "ajustes", alinhando as atividades da empresa para apoiar à estratégia escolhida.
O Dr. Vladimir Kvint também define estratégia como "um sistema que busca, formula e desenvolve uma doutrina que vá garantir o sucesso a longo prazo se seguida fielmente".


Ainda que acredite que a definição de objetivos, como explicito na Missão e Visão, das empresas já presuma que deverá haver um espaço para manobras implícito para a consecução dos mesmos.

(Cont.)

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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Apresentações inapresentáveis

Comecei minha vida profissional, bem antes de me graduar da faculdade, trabalhando com arte e Comunicação Visual. Fazia free-lance na Editora Abril, no departamento de arte das Revistas Femininas. Desde então comecei a perceber como as imagens modulavam, por assim dizer, o que ia escrito no artigo.

Depois, passei boa parte da minha vida, aprendendo e fazendo, ilustração científica, primeiro na Faculdade de Medicina da USP e depois no Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer, anexo ao Hospital AC Camargo em São Paulo.
E um tônus sempre me acompanhou este tempo todo: neste campo - acadêmico-científico - as imagens significam. E, significam muito.

Depois da popularização da tecnologia no Brasil, nunca se fez tanta apresentação, sobre qualquer tema, como nos dias de hoje! Desde os tempos dos populares Harvard Graphics (da SPC - Software Publishing Corporation) e Freelance (da Lotus) até o hoje quase invicto PowerPoint (da Microsoft), o Canva e o Prezi. Recursos organizacionais (tempo, dinheiro e pessoal) tem sido colocados a disposição da elaboração de apresentações. Não importa se internas ou externas. Muito dinheiro!

Para quase todo há motivo suficiente para fazer apresentações audio-visuais.
De lançamento de novos empreendimentos (produtos ou serviços), ensino, relatórios anuais, relatórios de desempenho, marketing até a comunicação de más notícias, do tipo: "A mãe do produto X subiu no telhado".

Um exemplo, e resultado, disso é a explosão de disponibilização de apresentações no SlideShare.net na internet. Como publicado naquele mesmo portal: "Slideshare consiste em mais de 15 milhões de apresentações disponibilizadas por usuários e organizações em tópicos que variam de tecnologia e negócios até turismo, saúde e educação." E, blah, blah, blah... mais de 15 milhões de documentos é documento pra chuchú.

E, como acontece com a tecnologia, há muita coisa abaixo dos padrões mínimos. Digo como acontece com a tecnologia porque ela também é, erroneamente culpada, pelos atos cometidos por seus usuários. Em ambos os casos, atribuem-se às ferramentas os erros do seu uso. Então, "o PowerPoint está errado ou abaixo o (MS)PP!" seria o mesmo que acusar os automóveis de todo atropelamento que acontece nas cidades e não, como deveria ser mais lógico, ao descuido ou seu condutor inábil.

O fato de haver o acesso fácil à ferramenta não se transforma automaticamente em "licença para matar", usando uma ou outra ferramenta. Mas, isto parece ser uma característica sine-qua-non das gerações nascidas com este acesso. E até de alguns apresentadores nascidos antes delas.
Cada um trouxe seus próprios vícios à mesa. E estes são repetidos, horizontal e verticalmente, muito mais vezes do que seria desejável. Ou deveria ser. É só fazer e pronto!
Não...


Primeiro, o que é uma apresentação audiovisual? Alguém sabe?
Não vou me perder na descrição histórica, desde câmeras claras ou escuras e carrosséis de slides até data-shows, pois são meras ferramentas. É melhor ir diretamente à fonte, o usuário e criador, das apresentações. Sim, você que odeia fazer apresentações para sua empresa, suas aulas e congressos!

Não sei como acontece com outros desenhistas (me recuso a usar "designer", nem vem!), mas depois de tanto tempo de fazer e analisar fotografias, apresentações e ilustrações, quase que consigo sentir o humor no qual foram desenvolvidas. Algumas são muito "tensas e irritadas". Monossilábicas na sua verborreia. Inúteis à sua função inicial.

Primeiro, o lado do apresentador

A apresentação é uma representação do seu conhecimento. O explicito do implícito em você. É você quem deve saber -intimamente- o que será apresentado. Mesmo que te joguem contra a parede, poderá recitar verbatim T-U-D-O o que apresentas, e ainda citar referências e fazer análise cruzada.
"Run circles around your audience", como dizem os norte-americanos.

A apresentação é uma representação da sua empresa tanto quanto você é representante dela. E mais, eles (a plateia) poderão não olhar você mas, definitivamente, irão se lembrar da sua apresentação... se for boa. Se for ruim, irão se lembrar de você e, como disse anteriormente: "A apresentação é uma representação do seu conhecimento. etc., etc. etc." faça as contas.

Torne-se íntimo do que será apresentado ou passe a oportunidade para outro. Melhor ainda, trabalhe em equipe. Ninguém diz que não pode ser feito. Além de ser muito mais divertido.

Treine, treine, treine.

Segundo, o lado da apresentação

Ela é uma representação da sua empresa e seu potencial. Viu que não falei: produto ou serviço? Falei em potencial. O que você (apresentador) apresenta é o que vocês (você e sua empresa) podem fazer. Ela diz, silenciosamente, seu potencial de fazer mais... muito mais. E é aqui onde a coisa pega.

Como, ou a forma como ela diz, modula o seu significado. Coisa de níveis de leitura, material para outro futuro post no prelo. Uma apresentação que me atraia visualmente, me mantenha querendo ver mais disso, sempre será melhor que várias daquelas que gostaria de estar trabalhando num canteiro noutro lugar, somadas! Ou então o velho: "Death by PowerPoint". Já passamos por ai antes.

Seja simples e direto no tema apresentado. Ela (a apresentação) é a harmonia onde sua apresentação (o que você irá falar) será a melodia. Pense desta forma e as coisas irão bem. Duvido que seja aplaudido de pé, mas sempre há uma primeira vez para tudo. Esteja preparado.

Nunca envenene sua apresentação com a cópia integral de um texto qualquer. Use "muletas mnemônicas", palavras chave que inspirem seu discurso sobre o tema. Nada pior do que ser apresentado a um slide atabalhoado de texto e estar longe da porta de saída do recinto!
Minto, há coisa pior sim: tabelas escritas em fonte tamanho 8 para caber no espaço!
Taquepariu! Coisamedonha! Um dos motivos para o alto índice de alcoolismo e suicídios entre burocratas de governos.

Já que chamou o departamento de arte e não (pelamordeDeus!) sua secretária ou sobrinho favorito, faça da sua apresentação algo bonito de se ver. O departamento de arte debe ter alguém que entenda dessas coisas. Não precisa ser uma obra para ser pendurada ao lado da Monalisa no Louvre, mas algo que possa apresentar ao seu diretor-gerente e que el@ entenda.
Sua mãe não vale, ela irá gostar de qualquer coisa que você faça!

Se seu nome não é João e nem seu sobrenome é Trinta, deixe de inventar moda! Não há limites para forma de apresentação de dados ou informação mas, sempre haverá algo chamado bom senso. Use-o, é grátis e vem dentro do pacote que chamamos: humano.

Pode parecer redundante mas, a apresentação deve lhe causar orgulho mesmo antes de ser apresentada ao público consumidor. Esta sensação faz muita diferença, acredite em mim. E ela dará origem a uma relação diferente entre você, sua platéia e sua apresentação.
Você gostará de apresentar e eles gostarão de ver.


Muitos apresentadores confundem público-alvo com alvos de canhão.
E, ingenuamente, ignoram o quanto conseguem prejudicar sua empresa com uma apresentação ruim. Para muitos não há relação alguma entre uma coisa e outra. Não conseguem perceber.


Sim, basta! Tem gente fazendo apresentações muito boas no mercado. Fazem disso um modo de vida tanto quanto antigamente os carvoeiros ganhavam a vida com carvão. De forma alguma se culpa a ferramenta pelo seu mau uso. E assim como há facilidade de acesso à ferramenta, também há facilidade de acesso a quem saiba usá-la. Estamos todos ligados em rede, não sabia?

Escolha um tema, qualquer tema, entre aqueles 15 milhões de apresentações disponibilizadas no SlideShare e perceba como há uma variação, não somente de cores e formas, mas daquele nível de linguagem que falava no começo. Apresentações que gostaríamos fossem nossas e outras que desejamos jogá-las no Tietê (coitadinho do rio).

Este post pode parecer veículo de propaganda para o SlideShare, mas muito longe disso. A razão é até banal demais. Ultimamente tenho sido exposto a muitas apresentações que me levaram a gritar, como a Mafalda acima. E, ao mesmo tempo tenho participado de confecção de algumas que me deixam muito orgulhoso. De onde percebi a diferença entre umas e outras e a facilidade que seria corrigir ou evitar esses erros.

Divirta-se, tem 15 milhões de documentos para ver...


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