domingo, 16 de novembro de 2014

Sociedade Paulistana

Nunca os espaços publico e privados foram tão confundidos quanto o são nos dias de hoje. As pessoas fazem nas ruas coisas que nem mesmo no espaço de suas residências deveriam fazer.
Usam mal, e até destroem o patrimônio público, que é de todos e ao mesmo tempo de ninguém. 
Controvérsia? Não na mente dos que assim agem. Tudo é deles, e o espaço  também.

Conversam gritando com outros "cidadãos" que se encontram no outro lado da rua. Atendem telefone dentro do transporte coletivo, falam de assuntos privados, nem sempre agradáveis. Falam, nesses mesmos coletivos, em voz alta sobre os mais variados e inoportunos assuntos.
Pesquisa recente mostrou que mais de 70% da população sem o ensino médio, acha justo que políticos aufiram vantagens para si próprios em suas posições, e fariam o mesmo se lá estivessem. O percentual de pessoas graduadas com a mesma opinião foi de 3%, o que eu, particularmente, ainda acho elevado.

Como exigir ética e discernimento dos políticos quando falta aos que os elegem? Acho que por isso são eleitos.


O bem publico, assim como o espaço, deveria permanecer público, ou seja, de todos, do povo. Mas não é bem assim que as coisas ocorrem.
Copos descartáveis, latas e toda a sorte de produtos descartáveis são lançados no espaço público. Se não fossem aqueles que da coleta deles dependem, a cidade estaria ainda mais depredada.

Há também aqueles que apesar das campanhas, ainda desperdiçam água, com a desculpa de que "eles" é que pagam a conta da água. Na realidade a conta da água será paga por nossos filhos e netos, e os filhos e netos deles também. Mas não há discernimento suficiente para concluírem isso, argumentar em contrário não resultará em nada além de uma discussão, isso se o "cidadão" não partir para a "argumentação física". Então é melhor deixar pra lá.

Todos nós temos o direito a nos divertirmos, escutar os musica, a conversar os com quem e sobre o que quisermos. Temos o direito de namorar, beijar, dar uns amassos, beber, desde que circunscritos ao espaço privado. Esse espaço privado não se limita ao ambiente físico onde estamos, o som alto transcende as paredes e invade o espaço de outras pessoas, que, nem sempre, tem o mesmo e duvidoso, gosto musical. Que embora aceitem o amor, talvez não estejam dispostos a presenciar cenas "românticas" representadas em publico.



Gritar e falar alto desnecessariamente, nunca foi sinal de boa educação. Pessoas educadas se aproximam umas das outras para falar, e falam alto o suficiente para o seu interlocutor ouvir.
É comum ouvir "Todo mundo faz assim!"

Infelizmente falta educação e cultura aos nossos cidadãos paulistanos, sem isso não há discernimento, sem discernimento não há respeito, pois falta a noção de certo e errado. Falta a noção da diferença entre o espaço publico d o privado.

Fui ensinado que meu direito começa e acaba nos pontos, onde termina e começa o de outra pessoa. Que o meu espaço privado era sagrado, como sagrado era o dos outros também. Que há coisas que não devia fazer em publico, no minimo para esconder a própria ignorância, me preservando de vexames.

Mas as pessoas hoje nem notam que quase caem em uma fila, por estarem se empurrando mutuamente. Molham ou sujam outras pessoas, quando arremessam pontas de cigarro, cospem, jogam água fora, restos de comida e etc., pedem desculpas, mas não mudam de atitude.
Pessoas que assistem ao noticiário, mas para elas aquilo é "só televisão". O aquecimento global, a escassez de água, os golpes financeiros e da internet, pedofilia, violência familiar, roubo, sequestros, tráfego de drogas, nada tem a ver com o cotidiano delas, é só um programa de TV.

Também não fazem qualquer relação entre superproteção aos filhos, com uma atitude permissiva, não exigindo nada, protegendo-os mesmo quando eles estão errados. Coitado do filho, não acha emprego, mas também não procura. Escreve "onesto", fala "pobrema", só sabe fazer contas com duas operações básicas; no computador só sabe usar o MSN, o FaceBook, ou o Whatsapp, com o dialeto próprio da comunidade que o utiliza e o (defunto) Orkut. Mas não aceita ganhar menos de seiscentos "real", vale-refeição e sem trabalhar aos sábados.



Saudades da época em que tudo era diferente. Parece que eu fiz uma confusão danada. Mas tente refletir e verá que tudo escrito aqui forma um círculo, não importa o ponto de partida, você passará pelos mesmos pontos e chegará ao ponto de onde partiu.

A educação dada pela familia esta cada vez mais permissiva e protetora, os pais são ausentes, ou porque querem, ou porque trabalham muito. Ambos não se sentem à vontade para exigir nada dos filhos, primeiro para não serem tidos como chatos e muito exigentes, segundo porque para ser exigente com os outros, é preciso ser disciplinado e ter um nivel elevado de exigência consigo. Isso adiciona um pouco mais de estresse a vida já estressante na grande São Paulo. Entretanto precisamos fazer uma escolha: Ou somos exigentes agora e preparamos um adulto independente, ou somos permissivos e criamos um adulto dependente de nós e de nossa futura aposentadoria. Pois nossos filhos não terão condições e atitude necessárias à sua sobrevivência. A superproteção  podderá levá-los a ser dependentes de antidepressivos, por não saberem lidar com as adversidades do mundo. Ou ainda, não terem limites para obterem o que querem.


É por isso que eles perdem a noção do certo e errado, do público e do privado, chegam à vida adulta sem discernimento. A forma como foram educados, lhes faculta fazerem o que quiserem, até que alguem mais forte, ou poderoso, interrompa suas "experiências". Ai, voltam-se contra o próximo mais fraco, ou contra algo.
É a lei da selva.

Tudo de bom que uma pessoa pode ter começa com uma boa educação em casa, passa por um bom aprendizado. Com educação e conhecimento, sendo exigido em suas responsabilidades, o jovem ganhará discernimento, será alguem competente e independente. Será enfim, um cidadão, um cidadão de bem.






Marx Durkheim Hobsbawm Weber da Silva
Paulistano inconformado
Personagem criado por Gerald Corelli
Extraído do texto: Análise Imponderada da Sociedade Paulistana
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