quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Criatividade e escola: caminhos incompatíveis?!

Em resposta a artigo do mesmo nome, comecei a escrever este comentário que de tão cumprido acabou virando post. Valia a pena fazê-lo. A discussão ainda vai longe, tem muito o que ser dito.

As escolas, como as conhecemos hoje em dia, elas próprias, seguem "escolas" (de pensamentos e filosofias) pedagógicas. Trilham, por assim dizer, caminhos impostos de escopos conhecidos, de ideologias pré-estabelecidas. A verdade conhecida, da qual as bibliotecas estão repletas. O conhecimento explícito, fixo. 

Sem sustos.

A criatividade e a inovação, por definição são o desconhecido. Queremos ensinar para verdades desconhecidas? Teriamos antes, que quebrar paradigmas seculares, entre o ensinado e aprendido, modos testados (formas e atitudes). Acolher o processo criativo do racionalismo de Spinoza ao romantismo Nietzcheano. E mostrar como não acontecem cataclismas ao criar pontes entre fatos e valores. Paradoxalmente, de verdades desconhecidas as bibliotecas estão repletas, de sementes em forma de informação.
Com sustos... muitos.


Na escola, os professores serão os guias facilitadores. Eles deverão saber e instigarão ao uso da ferramenta que permitirá abrir as portas para grandes criações. Antes de tecnologias e muletas extra-corpos, o cérebro como instrumento básico e principal de qualquer questionamento criativo. Longe da linha de produção seriada, a possibilidade da criação. Nem precisava ser genial, seria única e a partir dela, a genialidade seria possível.

Conseguiria-se assim uma quebra de padrões e hierarquias. O indivíduo como parte de um elemento coletivo maior de unidades únicas. A aspiração comum sendo o progresso e desenvolvimento de cada um desses coletivos, aproveitando as diferenças como molas construtoras. As crianças são naturalmente mais abertas à criatividade. Sua fé infantil não teme a aprendizagem quando apresentada com habilidade e sabedoria. Ao reconhecer, o outro, como igual e com o igual fazer parceria no desenvolvimento de ideias e resultados, o respeito e a troca se tornam muito mais fáceis. A nossa visão de mundo se alarga ao incorporar a visão do "outro" e o mundo visto ser nosso. Os antigos pedestais que criavam hierarquia na escola seriam extintos quando todos se descobrissem aprendizes.
Os sustos se transformam em surpresas.

É esta flexibilidade conseguida com o aprendizado do livre pensar, o questionamento fractal. A escola pode entrar como porto de partida para essa grande aventura.


Qual a mediação possível?

É difícil pensar e falar a respeito de individualidades se o fizermos dentro do padrões comuns desta nossa massificada sociedade industrial. Seguindo os padrões atuais tudo deve estar dentro de normas e conformidades, pesos e medidas de controle e qualidade, para ser usado -consumido- por individualidades únicas. Diferentes todas entre si.
Um contra-senso que ninguém, a não ser criativos, discutem. 

Não haveria mais as amarras de temor, pois aceitar, somar e compartilhar o que de novo vier de todas as direções possíveis seria o natural. Ensinaria-se desde tenra infância. Perceber, usando associações gestálticas (sic), o tempo do outro e ir ao seu encontro para ampliar o horizonte de todos deixará de ser o grande desafio. A descoberta de significados em coisas e fenômenos que a maioria considera certos. Estáticos.
E todos os dias as condições certas para a frutificação do novo.





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