sexta-feira, 11 de julho de 2014

Criativos, suas características e ambientes

Nestes dias atrás li, gostei, compartilhei e comentei no LinkedIn um artigo publicado pela awebic, sobre tradução de original da Just Something inglesa.


Gostei do artigo por ser simples. Faz muitas generalizações para esboçar um perfil do que seja ser criativo. E sim, o que é diferente cria incômodos e constrangimentos, às vêzes para ambas as partes envolvidas. Como se desenvolverá essa interação, coalhada de entretantos e não-me-toques individuais é que vai ser ela. Veja que a maioria do desenvolvimento disruptivo (como em inovação) aconteceu com a participação de um (pelo menos um...) criativo e sua indefectível pergunta: "e se..." ou então, alguem esqueceu a torneira aberta por descuido e foi um dilúvio.

As (22) Coisas que caracterizam as pessoas criativas, é uma lista que enumera as características que identificam os criativos. Vou tentar re-fazer a análise do texto apresentado naquele artigo motrando a lista aqui.
Eis a lista do artigo:
  1. Pessoas criativas se inspiram nas horas mais improváveis
  2. Eles sonham acordado
  3. Eles ficam entediados facilmente
  4. Eles enxergam o mundo com os olhos de uma criança
  5. Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
  6. Eles escutam que devem arrumar um trabalho de verdade
  7. Eles seguem seus corações
  8. Eles se perdem no tempo
  9. Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando
  10. Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades
  11. Eles se apaixonam por suas criações em um dia e no outro as odeiam como nunca antes
  12. Eles odeiam suas criações em um dia e no outro estão completamente apaixonados por elas
  13. Eles são humildes e orgulhosos ao mesmo tempo
  14. Eles estão sempre à procura de novas formas de se expressar
  15. Eles procrastinam
  16. Eles veem o outro lado da moeda
  17. Eles não gostam de limites
  18. Eles não costumam gostar de números
  19. Eles são grandes observadores
  20. Eles estão sempre buscando novas experiências
  21. Eles recomeçam tudo de novo
  22. Eles amam
Listas... enumerações... Acredito que seja uma forma primária, elementar, das pessoas tomar posse, priorizar... se empoderar das coisas que falam, enfim. Assim não perdem o fio da meada e organizam as ideias. Não vejo problema nenhum nisso.
São formas de fazer, somente. Essa organização, como diria Saussare: "Bem longe de dizer que o objeto precede o ponto de vista, diríamos que é o ponto de vista que cria o objeto: aliás, nada nos diz de antemão que uma dessas maneiras de considerar o fato em questão seja anterior ou superior às outras."

Ok, ok... #11 e #12 são, definitivamente a mesma coisa. Eu vi também.

Procrastinar (#15), pode até ser uma outra forma de priorizar, só que vista do lado de fora. Do ponto de vista do outro. A hierarquia do que seja mais ou menos importante é diferente para cada um de nós... todos nós. Alguns chamam de procrastinação ou não levar as coisas a sério, mas quem diz que não foram consideradas e colocadas no lugar certo?
Ia falar que criar-iamos uma nova lista, mas acho melhor deixar pra lá.


A #5, ao meu ver, é a verdadeira provação (como em ordeal), não somente para o criativo. Afinal, estamos vivendo numa sociedade que não tolera muito graciosamente os fracassos.
  1. Eles vão falhar… assim como vão tentar novamente depois
Nem precisam ser de alguem criativo especificamente. Qualquer um falha, comete erros, faz cag... As consequências, e principalmente, a reação a elas é que ditarão os resultados.
Por exemplo: acha que o 14bis se chamava assim porque era o primeiro da série ou o Santos Dumont era fã desse número em particular?
Hein?

As #8, #9 e #10, então?
  1. Eles se perdem no tempo;
  2. Eles trabalham quando os outros estão dormindo… e dormem quando os outros estão trabalhando;
  3. Eles enxergam oportunidades onde os outros veem dificuldades.
O tempo é diferente para todos exceto para os relógios. Parece brincadeira mas, se todos estão ocupados com coisas rotineiras (ou dormindo, então) se torna mais fácil ver oportunidades. Não é mesmo? Quando falamos em inovação as coisas se complicam para quem está acostumado com rotinas... ou soluções esperadas.
É o problema das receitas, por exemplo. Os passos (processos) são iguais, o resultado...

A #17 é óbvia demais, nê? Quem gosta de limites? A escola é o típico ambiente em que todos somos "homogeneizados". Situações como a TDAH, os devaneios e as displicências demonstradas por uma fração dos alunos deveriam ser estudadas e classificadas de formas diferentes, e suas responsabilidades repartidas melhor. Usualmente o culpado é sempre a criança, nunca o método de ensino ou a forma de alfabetização.
Será?


Me chamou a atenção o número #21, quando fala do medo de recomeçar. Algumas pessoas confundem estupidez com valentia, e não, de forma alguma, são a mesma coisa. O elemento medo estará sempre lá, é um instinto básico. As vêzes custa mais, muito mais do que os livros de história conseguem descrever.
  1. Eles recomeçam tudo de novo
  2. Eles amam
E sim, amam a vida (quem não?) e o que é belo. De formas até surpreendentes. Não concordo muito com a #18, teria que re-fazer meu entendimento de muitas coisas e artes.
Como se diz, não tem nada a ver.

Ainda que, pensando bem, agora contamos com uma série de elementos novos a adir a equação; as interfaces tecnológicas, por exemplo. Veja, a curva de aprendizado para lidar com interfaces se restringe a uma série de comandos e combinações econômicas entre eles. Sim, econômicas.
Não se inventam comandos ou combinações novas nem diferentes para fazer a mesma coisa de interface para interface. Os programadores se acostumam e acostumam o usuário a repeti-los. Repetição esta que nos leva, e a cada novo usuário que com esta tecnologia entra em contato, a identificar e reduzir o reconhecimento de comandos e combinações.


Vê onde quero chegar?
Repetimos os mesmo erros e descobrimos os mesmos caminhos a cada opção executada. A resposta ou "feedback", se preferir, é imediata. Certo ou errado, positivos ou negativos altamente Booleano sem o "porém", "contudo" nem "todavias" que, usualmente, circunscrevem a periferia dos relacionamentos ou meio ambientes não digitais.
Pior ainda, insistimos e ensinamos que é assim que se faz!

Uma escritora de ficção disse certa vez: "You don't create new worlds to give them all the same limits of the old ones" (Jane Espenson). Isto É imaginação! Ou, na visão de quase todos os sistemas de alfabetização; a Caixa de Pandôra.
E que, como tal é necessário eliminar. Ou (re)pensar urgentemente.


A estas alturas faz-se necessário um aparte, antes que me esqueça: não sou contra a educação formal. Acho-a necessária, básica para a sobrevivência e desenvolvimento social. Mas, como o Freire e alguns casos de andragogia, sou a favor de reduzir a distância entre academia e o mundo real. Não restringir-nos a soluções provadas e repetições mecânicas. Incentivar, atrair e abraçar a inovação e a colaboração entre os estudantes. Vamos aplaudir e explicar, para entender, os resultados certos ou errados. E assim criaremos uma base de onde a criatividade irá florescer sem medos.
Os limites acabarão desaparecendo por si mesmos.





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