sábado, 31 de maio de 2014

Vida Simples Vida

Uma vida simples tráz com ela, sempre, soluções simples, descomplicadas e essenciais. Enquanto, por outro lado, uma vida luxuosa, cheia de marcas e ostentação, exige um esforço infindável de cuidados e arranjos sem sentido. A não ser o de perpetuar uma ilusão de status e condição social que não mais coaduna com os tempos atuais. Locais, carros, roupas e outros artefatos caros e exclusivos, não dizem mais sobre uma condição e sim sobre uma falta de estrutura pessoal. A vida simples, que antes era relegada unicamente aos destituídos e ingênuos, hoje se mostra, apesar das benesses trazidas pela tecnologia, como um admirável mundo novo, de simples certezas e sustentabilidade.


Eis como um artigo nos mostra como esse deslocamento de visões e mudanças de atitudes não é uma coisa moderna, vários filósofos da antiguidade grega já procalamavam o anúncio de uma vida simples, sem fausto nem ostentação. A adoção de uma vida regrada, levada ao meio-termo ou até em casos extremos, ao básico necessário. Mais de uma filosofia foi montada ao redor destes conceitos; simples que advogam um estilo quase espartano de levar a vida e os negócios.


Fomos alertados, há milênios, sobre os resultados do desregramento social e dos danos ao ambiente que nos rodeia, que resultam de tais ações.
Como crianças mimadas, não prestamos atenção. Sempre acontecerá com os outros, nunca conosco. Pois bem, acontece sim... mais do que imaginamos. Chegamos ao ponto em que a mais simples matemática nos consegue mostrar o ruinoso resultado de nosso exacerbado consumismo. Vozes como a do italiano Domenico De Masi ou o ativista Dave Bruno e muitos outros tantos mais, se fazem ouvir.


Por enquanto, ainda aqui no Brasil, essa consciência se mostra pálida e tímida. Com alguns exemplos, mesmo no artigo -onde a ostentação é escondida e maquiada- ainda existe.
Nós no Brasil, paradoxalmente estamos num movimento contrário, as classes menos favorecidas começam a consumir aproveitando-se de planos, menos sociais e mais proselitistas, de marketeiros dos governos. Que, por sua vez aproveitam multifacetadamente deste consumo desenfreado e acéfalo. A carência que sentiram todo esse tempo, como falta, terá que ser saciada. Para os nossos governantes é chegada a hora do consumismo como ferramenta de inclusão social.
E para quem fica, a conta a pagar...



quarta-feira, 28 de maio de 2014

Tecnologias, Conhecimento e... nós

Comecei a me interessar por "informação", "história", "sociologia" (sim, entre aspas, que seu significado mudou muito a medida que aprendia e ainda tento entender...) e outras humanidades em geral depois de ler -como diversão- Isaac Asimov. O texto do Radhfarer, além de tratar de alguns dos meus favoritos (Spinoza, Goethe, et al...), me remeteu direto ao Asimov, sua Psico-História (em Fundação, por exemplo) e suas previsões sobre cálculos de reações humanas como ciência. E dai a uma outra velha discussão sobre os limites entre ciências e artes. Entre o exato e o fractal. O humano como um mosaico de mosaicos (de mosaicos...) e as ciências como a parede, a superfície onde eles estão.
O vaso que a contem.

Sim, uma outra perspectiva.
E, ao mesmo tempo, mostrar corretamente, que o conhecimento não é algo que pré-existe em local ou tempo. Ele é produto da relação feita, pontual e conscientemente, de informações. A soma de "pequenos discursos" ao que já sabemos (ou pensamos saber) e a mudança que isto acarreta em nós e no que poderemos fazer a partir deste ponto.


Não, não há receitas prontas. Podemos concentrar 10, 1000 ou 100000 pessoas no mesmo ambiente, mostrar a mesma informação e ainda assim, bem provavelmente, terás 10, 1000 ou 100000 conhecimentos novos diferentes. E a interação destas pessoas gerará muito mais. Cada qual aportando sua própria e particular versão.
Mude qualquer um dos elementos anteriores e o resultado todo muda.

Desde os "Baby Boomers" da pós-guerra, até hoje, vão lá uns 60 anos, quando muito. E hoje, ainda por cima, falamos em fenômenos sociais on-line, assumindo uma vida paralela comparada à off-line, à desplugada (unplugged) que acorda com o sol e se molha com a chuva. Expomos nossas crianças a babás digitais por falta de tempo, ou por perdermos o fio da meada do que deveria ser tecnologia. Ou então, o que ela deveria nos proporcionar; tempo. O tempo para construir-nos a nós mesmos. Para melhorar, aprender e relacionar-nos, uns com os outros, de forma melhor. Desenvolvemos tecnologia, ferramentas. Assumimos sua velocidade e cultura, e ainda nos assombramos quando vemos que nossos filhos se encaixam em descrições como esta:

"Os digital natives estão inseridos em uma nova cultura, em que a identidade é construída a partir de gostos e informações compartilhadas em grupos ou comunidades virtuais. Sua popularidade, seu impacto, é pautada pela quantidade de amigos virtuais, gadgets que possuem (bem como sua tecnologia) e placares nos jogos em rede."

E que digital natives poderia facilmente ser substituído por Geração X, Y, Z, n, sem o menor constrangimento. É só olhar para trás.

E neste processo todo, vamos esquecendo que aquela "vida unplugged" não deixa de ser, e estar, porque não prestamos a devida atenção nela. Desenvolvemos tecnologia, cada vez mais e mais rápida. Esquecemos, pelo caminho, de desenvolver a nós mesmos junto com ela. Podemos ter aprendido alguns truques, mas continuamos; "homem, o lobo do homem".
Podemos cometer erros garrafais, reconheçamo, mas não tencionemos -de forma alguma- fazer deles a base do nosso futuro.
E poderiamos usar isto como um chamado de alerta (heads-up, people!).

tic-tic-tic

Acho que esses temores toda geração têm os seus. Houve (não sei se aqui houve) quando o "temor da vez" era a leitura de histórias em quadrinhos. Que fariam nossas cabeças (confesso, eu era um ávido leitor!) deformar em pensamentos enviezados ou fora dos padrões ditos 'convencionais'. Liamos até a exaustão, trocavamos e re-liamos comentando como críticos tarimbados, esperando o próximo exemplar mensal.
Enquanto isso, a "vida unplugged" ainda seduzia com bolas, pipas, amarelinhas e piões.
Fantasia analógica de outros tempos.

A diferença era somente o acesso à tecnologia. E ela não aparece do nada. Fomos nós mesmos, aqueles dos quadrinhos, que criamos as condições para seu desenvolvimento. Que criamos as condições para seu acesso ser mais fácil. Que criamos as condições para seu replicamento viral! Acho que era esse o "temor da vez" de então; que nossas idéias enviezadas acabassem criando condições para mudar o mundo. Demos o primeiro pontapé, enquanto nossas idéias voavam e pulavamos etapas a rodar encurtando espaços.
Fantasia digital de novos tempos.

Parafraseando o Sr. Gonçalves (L.Radfahrer): "Como diz qualquer consultora de moda: "se não usou no ano passado, não vai mais usar."

Não tenho a menor ideia, simplesmente parou de funcionar.

Aos futuros pesquisadores restará refinar a surpresa daqueles outros pesquisadores que, logo após Colombo, perceberam que tinha sido descoberta a outra metade desconhecida do mundo. Desta vez, com o concurso da tecnologia; dentro de cada um de nós... onde, mesmo quem não participa, significa.


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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Silogismos

Um silogismo (do grego antigo συλλογισμός, "conexão de idéias", "raciocínio"; composto pelos termos σύν "com" e λογισμός "cálculo") é um termo filosófico com o qual Aristóteles designou a argumentação lógica perfeita, constituída de três proposições declarativas que se conectam de tal modo que a partir das duas primeiras, chamadas premissas, é possível deduzir uma conclusão.
Convenhamos os silogismos são as piadas dos filósofos, certo?

Lembram do repetidíssimo (principalmente para os que, como eu, somos cria dos Jesuítas):
"Todos os homens são mortais;
Pedro é homem,
logo Pedro é mortal."
das primeiras aulas de filósofia?

Aplicando silogismos, prestemos atenção em qualquer problema e sua solução mais imediata, e veremos: Situação/Problema (premissa maior), solução (premissa média) e nova situação (premissa menor).
Não consigo simplificar além disto. A imagem me é extremamente fugidia e chega a ser confusa.
Querem ver?

Vejam, por exemplo, estes argumentos líricos:
"Your debutante just knows what you need
But I know what you want.”
e
"You can’t always get what you want
And if you try sometime you find
You get what you need.”
Logo;
"Sometimes you get debutantes."

Definitivamente, o Stanislau deve ter tirado daqui o seu samba famoso. Ou algo muito parecido, sem dúvida alguma. E, tenho quase certeza de que, ao igual que o Aristófanes, a polícia política também foi atrás do autor dessa confusão, verdadeiro impropério mental. Achincalhe às "otoridades constituídas" do seu tempo.

sábado, 17 de maio de 2014

Por mim

Yo soy...
I am...
Je suis...
Ego sum...
Eu sou...
Ich bin...
la suma de mi.
the sum of myself.
la somme de moi.
a soma de mim.
der sum auf mich.

Ambições, eu tive algumas.
Sonhos também...
Quis ser um monte de coisas comigo mesmo.
Algumas ficaram pelo caminho.
Outras, ainda tenho comigo.
E escutei: "Tu não tens ambição alguma!", uma e
várias vezes.
Principalmente, quando não conseguiam
entender o que viam.
Quis ser ilustrador/diagramador da
"New Yorker" antes de saber
o que isso era. (!)
Da forma mais difícil...
geográficamente.
Em algum tempo-espaço;
fiz um zig quando devia ter feito um zag.


segunda-feira, 12 de maio de 2014

Não se suje, Xi!

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Observação
Este é um dos meus textos antigos e olvidados. Escreví isto a princípios de 2013, como comentário a um artigo numa revista velha que pegamos ao acaso, meu colega Ronald e eu.
Um exercício rápido de análise logística proposto no curso pelo Prof. Nivaldo Troiano.
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A economia da China é a segunda maior do mundo, só perdendo para a americana.
Seu PIB nominal é estimado em US$ 8,2 trilhões (dados de 2012) e seu poder de compra foi calculado em US$ 12,4 trilhões, outra vez, menor apenas daquela dos Estados Unidos.

Desde finais de 1978, quando passou de uma economia planificada centralizada, como a soviética, fechada, para uma economia de mercado com rápido crescimento, seu papel na economia mundial mudou de mero figurante para personagem principal.


Será que isto é suficiente para a Sra. Gryzinski ocupar uma das primeiras páginas de um dos semanários mais importantes e lidos do Brasil, para tecer apreciações ao corte do terno, à tintura dos cabelos, à crítica da pasta simples, à ausência da cônjuge do premier, ou à proliferação de gravatas vermelhas num evento de cunho político?
Na China?

O que tinha me chamado a atenção na época foi o sugestivo título da matéria, dado pela Sra. Gryzinski. Que, achava, tinha mais a ver com posturas éticas do que com posses para a foto. Incluia também a assumpção do vulto que tomaria nas relações Brasil-China, que ele, então como recem empossado Primeiro Ministro da Republica Popular da China, assumia.
Ou, posso ter posto mais entrelinhas do que a autora intentou.

E o que todo isto tem a ver com logística, então?

Resumindo; (e isto aqui veio de outras fontes, não do artigo) a China é desde abril de 2009, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, o principal parceiro comercial do Brasil. Desbancando os Estados Unidos por, pelo menos dois pontos percentuais (de 13% para 11.3%, respectivamente) nas relações comerciais desde março daquele ano. No primeiro quartil (quatro meses) daquele ano, a corrente de comércio Brasil-China cresceu 14%, enquanto os negócios com os Estados Unidos caíram 20,4%. As exportações para China cresceram 65% e para os Estados Unidos, caíram 35%.

Mas, e a logística? Onde está a logística?

Calma, explico a seguir.
A Sra. Gryzinski, e alguns outros poucos analistas económicos, nada mais fazem do que mostrar-nos o ambiente (o famoso “Ba” japonês) onde o canal logístico acontece. Compreendendo como canal logístico o fluxo a seguir:


Ao qual poderíamos adicionar, um a cada extremo do diagrama, respectivamente: Clientes e Pós-Vendas. (Mas, esse é um outro texto que já escrevi antes.) Esta simplificação conceitual gráfica não acontece, de modo algúm, no vácuo. Acontece num ambiente onde Xis, Rousseffs e Obamas e mais sete bilhões de almas, cada uma delas significa. Se compra, se vende, se descarta e a cada uma dessas ações, vidas humanas são, de alguma forma, atingidas.

Os processos logísticos e seus operadores estão presentes em todas e cada ação diária. Por força da tecnologia e seus efeitos sobre a distância no mundo, somos atingidos pela reeleição de Obama nos Estados Unidos e pela nomeação de Xi como primeiro ministro na China, assim como eles o são pelas passeatas e greves recorrentes no Brasil.

Hoje, devemos ter ciência de que, não somente pertencemos à rede social do nosso vizinho como devemos, no ambiente empresarial-econômico, também reconhecer o potencial e a oportunidade que esta relação nos brinda.


A tecnologia e o ambiente criado por ela, nos obriga a estarmos prontos para responder a propostas, e nós mesmos, prognosticar e criarmos novos mercados e relações.
E isto vai muito além de algumas páginas em amarelo com fotografias coloridas.




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sábado, 10 de maio de 2014

Deus, segundo Baruch Spinoza


Einstein, quando perguntado se acreditava em Deus, respondeu: -“Acredito no Deus de Spinoza, que se revela por si mesmo na harmonia de tudo o que existe, e não no Deus que se interessa pela sorte e pelas ações dos homens”.
“Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que eu fiz para ti.
Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa. Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí, é onde eu vivo e aí, expresso meu amor por ti.
Pára de me culpar por tua vida miserável: eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer.
Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filhinho…, não me encontrarás em nenhum livro!
Confia em mim e deixa de me pedir.Tu vais me dizer como fazer meu trabalho? Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar.
Se eu te fiz, eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se eu sou quem te fez?
Crês que eu poderia criar um lugar para queimar todos os meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso?
Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti.
Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti. A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia.
Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é a única coisa que há aqui e agora, e a única que precisas.
Eu te fiz absolutamente livre.Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.
Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse, como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado a oportunidade que te dei.
E se houver, tem certeza que eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste?… O que aprendeste?…
Pára de crer em mim- crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar.
Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes especial, apreciado?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar.
Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas.
Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações? Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… Aí é que estou, batendo dentro de ti.
(Baruch Spinoza.)


As sábias palavras são de Baruch Spinoza – nascido em 1632 em Amsterdã, falecido em Haia em 21 de fevereiro de 1677, foi um dos grandes racionalistas do século XVII dentro da chamada Filosofia Moderna, juntamente com René Descartes e Gottfried Leibniz. Era de família judaica portuguesa e é considerado o fundador do criticismo bíblico moderno. Acredite, essas palavras foram ditas em plenos século XVII. Continuam verdadeiras e atuais até hoje…
Saiba mais: Mundo de Gaya

domingo, 4 de maio de 2014

Senescência e Conhecimento

Diz um velho ditado árabe: "Mais sabe o diabo por velho que por diabo!"

Senescência, diz um dos muitos dicionários que pululam a internet; "é o processo natural de envelhecimento ao nível celular ou o conjunto de fenômenos associados a este processo". Traduzindo, é ficar velho, envelhecer.

Conhecimento, por seu lado, tem o seguinte verbete:
S.m. Ato ou efeito de conhecer.
Ideia, noção de alguma coisa, conhecimento das leis.
Informação: conhecimento de um fato.
Relação de familiaridade, mas não de intimidade.
Com Documento, recibo, nota em que se declara o recebimento de mercadoria a ser despachada por qualquer veículo de transporte ou simplesmente armazenada.
S.m. pl. Saber, instrução, cabedal científico...
etc., etc., etc.
Mas afinal, qual a relação desses dois conceitos?
Se visto pelo lado meramente biológico, teriamos que: "a linha mamifera, uma das mais recentes e certamente a mais sofisticada da classe cordata, pode ser considerada uma ilha de senescência entre a maioria de seus parentes evolucionários".
Vejamos: para adquirir conhecimento precisamos de tempo. À passagem de tempo, envelhecemos. Logo, quanto mais envelhecermos, dadas as condições certas, mais conhecimentos adquiriremos. O silogismo pode parecer fútil, mas não podemos negar que tem uma lógica plúmbea. Dado o tempo necessário para adquirir conhecimento, nas condições certas para adquiri-lo, certamente por iteração, ele aumentaria.
Não há como negar.

Mas, como qualquer músculo bem treinado, o cérebro no idoso, mesmo com a diminuição natural dos neurotransmissores (dopaminas, serotoninas e norepinefrinas), ainda conseguirá funcionar. Mais e melhor, se for exigido rotineiramente. O exercício cerebral executado, neste caso, seria a relação de conceitos e experiências com novas informações e eventos. Podemos traduzir isto como reações eletro-bio-químicas. Impulsos e sinapses.

Este tem sido um 'pet peeve' meu desde antes do meu tempo de pós-graduação. Nesta época, já como o mais velho (bem mais velho) da minha turma, aproveitei para ventilar minha indignação. Por quê os velhos são considerados como quase estorvo num tempo em que o maior exercício físico feito por profissionais é apertar botões?
E, para isso, nem precisam lançar mão do bom senso!

De vários pontos de vista é altamente incongruente, e terrívelmente atávico, o descarte deste recurso e habilidade em nome de sei-lá-o-que. Uma legião de cérebros treinados e funcionantes descartados por "obsolescência planejada" de qual teoria de produção? Quando foi que voltamos às tribos nômades coletoras, onde os velhos não conseguiam nem sequer suprir seu próprio sustento?


Podemos encontrar, principalmente entre nós, baby-boomers, vários que não tenham aderido à tecnologia e seu uso. Mas, temos que levar em conta que essa tecnologia foi proposta e criada pela geração imediatamente ANTERIOR à essa. A educação e treinamento foram mudados enquanto nós -então jovens- já exerciamos nossas profissões, muitos usando e abusando somente dos neurônios para isso. Lógico que não encontraramos no aparelho uma ferramenta, e muitos foram apresentados a ela como sua concorrente. A evolução da linha de montagem para a pulverização global de produção é um sintoma natural. Muito desta evolução é o resultado do trabalho daqueles desta geração que, não só aderiu mas também assumiu, a tecnologia.

Hoje, gasta-se muito em educação e treinamentos, de novas gerações de profissionais enquanto esta 'rede de segurânça' formada por gente competente é descartada porque passou dos 50 anos. Ou pior, porque entrou de sola nos 60 anos. Até agora deixamos de ver nosso desenvolvimento de forma sistêmica, vemos ele por partes. Como quase tudo o resto. Parcelado.
O que nos leva à errônea conclusão de que o inferno são os velhos.
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