quarta-feira, 9 de abril de 2014

Infografia: ferramenta de Comunicação

A medida que o tempo passa e, com o contato da tecnologia, mudamos a forma como comunicamos e nos comunicamos socialmente. Uma das formas de comunicar é a representação gráfica, na qual tenho notado a lenta invasão dos infográficos.
Os infográficos -pasmem- não têm nada de novo, eram usados já faz muito tempo, pelos meios de comunicação principalmente os jornais e revistas semanais (Time, por exemplo).
Agora encontramos infográficos em quase todo lugar. Informando quase qualquer coisa.

Mas afinal, o que é um infográfico?
Na Universidade Federal do Rio Grande do Sul encontramos a seguinte definição do que seja infográfico:
"Infografia ou infográficos são representações visuais de informação."
Indo diretamente à internet, no Wikipedia (versão em Português) mais precisamente, encontramos que:
"Infografia ou infográficos são gráficos com algumas informações. Em revistas os infográficos são caracterizados pela junção de textos breves com ilustrações explicativas para o leitor entender o conteúdo. Esses gráficos são usados onde a informação precisa ser explicada de forma mais dinâmica, como em mapas, jornalismo e manuais técnicos, educativos ou científicos. É um recurso muitas vezes complexo, podendo se utilizar da combinação de fotografia, desenho e texto. Eles facilitam a compreensão de matérias em que apenas texto dificultaria o entendimento."
E, como costuma acontecer, nada impede que cada autor tenha sua própria versão do que seja infográfico. Contudo, a estas alturas, acredito que vocês já entenderam o básico suficiente. Não se prenda a somente uma definição aqui, como naquela antiga canção infantil francesa: "ha muitas formas de depenar o mesmo ganso."

Aves à parte, vejamos um pouco da história do infográfico.
  • os primeiros mapas foram criados antes da escrita;
  • Nicole d'Oresme, em 1350, publica a primeira proposta de representação gráfica de dependência de valores quantitativos;
  • Leonardo da Vinci planejou uma enciclopédia baseada em desenhos detalhados de tudo;
  • em 1626, Christoph Scheiner publicou o Rosa Ursina sive sol, manual de astronomia, com desenhos que mostravam suas pesquisas;
  • Em 1786, William Playfair publicou o primeiro gráfico em seu livro The Commercial and Political Atlas, repleto de gráficos estatísticos que representavam a economia no século XVIII na Inglaterra usando gráficos de barra;
  • Em 1861, Charles Joseph Minard criou um importante infográfico sobre a marcha de Napoleão sobre Moscou;
  • Em 1933 , Harry Beck projetou o mapa de metrô de Londres;
  • O advento da interface gráfica a partir da chegada dos Macintosh e Windows 95 catapultou as possibilidades visuais no jornalismo.
Mapa de Charles J. Minard

E até, o prof. Edward Tufte, considerado um dos mais importantes estudiosos em infografia e design de informação, apresenta uma lista simples do que seja "Excelência Gráfica":
  1. A excelência gráfica é a representação bem projetada de dados interessantes, uma combinação entre substância, estatística e design gráfico.
  2. A excelência gráfica consiste da comunicação de ideias com clareza, precisão e eficiência.
  3. A excelência gráfica é o que dá ao leitor maior número de ideias no menor tempo com o menor uso da tinta e no menor espaço.
  4. A excelência gráfica requer que se conte a verdade sobre os fatos.
O que, de per si, implica uma hierarquização de elementos gráficos, unidos à intenção formal de informar clara e corretamente. O que me leva ao objeto deste post.

Há muito tempo (muito tempo, acredite...) trabalho como ilustrador. Resumindo, sou um designer. Trabalho com informação transformada em imagens ou melhor; transformo as ideias de outros em imagens. Estou atrás de estratégias de comunicação gráfica. Mas, me vejo às voltas com gestão empresarial. Me interessei por informação, fiz pós em Gestão de Conhecimento e cursos de Logística, ultimamente venho tendo que ver e ler muitos infográficos para executar meus trabalhos. Por isso...
Bom gente, cansei! Cansei de ver tanta porcaria publicada, sem mais aquela

Como todo desenho depois de pronto, parece tão fácil de fazer, não é?
É só pegar um dos programas gratuítos que existem na internet, convocar seu sobrinho favorito (outro post, depois eu conto) e mandar brasa! Certo?
...
Certo?
Como tantas outras coisas que parecem fáceis, parecem mas não são. Mesmo que tenha dois sobrinhos e uma secretária a tira colo!
Me dei ao trabalho de montar uma pequena lista daquilo que acredito que poderiamos prestar mais atenção para desenvolver um infográfico, mais ou menos, decente. Se souberem de algo que esquecí agradeceria o aporte.

1 - Seja original
Tem tantos viéses para o mesmo assunto! Mude a cor, a estação do ano, atualize a informação, veja quantas possibilidades há para desenvolver. Use sua imaginação. Faça um think tank, está na moda. Divirta-se com seu trabalho.

2 - Não copie as ideias dos outros
 Pode achar o máximo, como ideias ou referências, mas nunca, nunquinha dos jamases copie (ctrl+c, ctrl+v) os infográficos dos outros. Além do mais isso demonstra preguiça e desleixo da sua parte. Afinal, você é um artista, pode muito mais!

3 - Lembre-se da sua audiência
Sua audiência é o motivo principal de você estar desenvolvendo o infográfico. Você deve a ela consideração e respeito. Demonstre isso desenvolvendo seu melhor trabalho. Se não consegue, peça ajuda, não há nada de mau nisso.

4 - Mantenha sua mensagem simples
 Mensagens simples são sempre mais fáceis de ser entendidas. Além do mais, se complicar ninguem vai querer ler.

5 - Pense na informação oferecida
Lembra da hierarquização que comentei lá encima? Antes de começar a desenhar, tem que desenhar o que, e como, irá dizer. Vá por mim, vai evitar muita dor de cabeça. E já que está aqui, verifique sua informação. Rascunhe à lápis, sem compromisso nenhum, um "boneco" do seu trabalho.

6 - Evite escrever demais
Não seja prolixo, é um infográfico, não uma novela. Se fosse para escrever, você seria escritor, não um desenhista. Se, contudo, precisa escrever, não se entusiasme. Transforme o texto em elemento gráfico. Seja conciso, claro e objetivo. Lembre de deixar espaços brancos para descanso... e reflexão.

7 - Atenção aos gráficos que usar
Tente manter, ao igual que com as cores, uma consistência nas imagens. É algo como falar sempre o mesmo idioma durante toda a conversa. Se as palavras forem bonitas, há mais probabilidades de manter a audiência até o fim.

8 - Infográfico acaba!
Sim, tudo chega ao fim. Não adianta ficar esticando um assunto que já acabou. Quanto mais rápido transmitir sua mensagem corretamente, melhor.Veja um exemplo disto neste curto artigo (The Barchart that doesn't explain anything and isn't news) de 2011 sobre significação em infografia.

9 - Use fontes legíveis
Lembre-se; você não está redigindo nenhum contrato legal, pode usar fontes acima de 8pt sem vergonha nenhuma. Faça seus títulos serem visíveis e interessantes. Seus subtítulos chamarem a atenção. Não esconda suas fontes em letras ilegíveis.

10 - Foco!
Atenha-se ao assunto em questão. Não se perca. Se você se perde, seu leitor se perde, a informação entao...

11 - Evite abusar das cores
Um computador normal pode mostrar algo alredor de 16.777.216 cores diferentes. Não precisa usá-las todas de uma vez! Crie e mantenha uma paleta de cores consistente durante todo o infográfico. Há programas que ajudam a criar a partir da sua escolha.

12 - Atenção às imagens que usar
Outra vez, tente manter, ao igual que com gráficos e cores, uma consistência nas imagens. E verifique a qualidade das iimagens. E, igual que as cores -pelamordeDeus- não precisa usar todas de uma vez! Tem um monte de infográficos que parecem chão de galinheiro de tanta imagem, texto, linhas e (ultimamente) movimento acontecendo ao mesmo tempo. Gente, assim não dá!
Poluição visual continua sendo poluição.
E, lamento informar, poluição não informa!

13 - Verifique seus dados
Preciso explicar?

...

Acho que é só isso.




 Referências
Tufte, E., The Work of Edward Tufte
Vicente, R., Apresentação gráfica de informação quantitativa
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