domingo, 30 de janeiro de 2011

Resposta (sic)

Quando aprendia (ou melhor: tentavam me ensinar) aritmética na escola, uma das verdades que repetiam era: "Todos os problemas têm uma, e somente uma, solução/resposta certa! Qualquer outra coisa estará errada."
(Em inglês, que as freiras da Maryknoll não ligavam para outros idiomas.)
Nefelibata que era, entre o cantar dos periquitos e o convite a brincar do vento entre as folhas das plantas lá fora, tentei que -pelo menos- isso ficasse na minha memória. Ia cair na prova e provavelmente, além da data e do meu nome, tinha que ter alguma resposta certa!
Era batata...
Mas hoje, pensando bem (hmm... há controvérsias), defendo que há uma e somente uma resposta errada para qualquer problema. Todas as outras o responderão corretamente dependendo das variáveis e do contexto onde o problema se apresente. Às vezes até mais de uma.
Aceitamos, ou não, as respostas como corretas dependendo muito de nosso próprio "conhecimento" e aceitação das probabilidades. Aceitamos como verdadeiro aquilo em que acreditamos. Mas quem diz que aquilo em que não acreditamos é mentira pelo simples fato de não acreditarmos nele? Nos apropriamos, não somente da verdade, mas também do fato e de qualquer possibilidade além de nós.
Insistimos que o universo está dentro de nós e não o contrário. Não conseguimos entender o sutil equilíbrio do qual participamos. E, que assim como nosso organísmo tem peças, nós mesmos somos peças de um organísmo maior num fluxo ambidestro de energias e vibrações. É melhor começar a aceitar isto como um fato. Não podemos e nem temos condições de nos rebelar contra isso.
Por mais limitados que pareçamos, nós não somos fim... somos meio.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Comentário

Accidentalmente escutei no meio de um diálogo este comentário, não me lembro onde, sobre o casamento:

"Ame-me quando menos mereça, pois será quando (eu) mais precise."

Acho que como mantra silêncioso pode ser muito útil uma hora ou outra. E capaz de mudar o resultado de uma situação espinhosa. Algo como "Falling feels like flying for a while...", sem a parada brusca no final. É ela que mata.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Introdução - 2

Todo projeto de Gestão do Conhecimento tem por objetivo o reconhecimento dos potenciais das vivências e experiências dos colaboradores, sistematizando-os e reapresentado-os, alinhados às estratégias da empresa como vantagens competitivas. Utiliza para tanto a identificação dos conhecimentos tácitos nos colaboradores e os conhecimentos explícitos da empresa e do meio-ambiente no qual ela se encaixa.
No entanto, muitas vezes falamos de conhecimento, informação, processos, produtos, tecnologia e indicadores como se fossem um mundo separado, totalmente independente e mensurável do seu principal objetivo e fonte: as pessoas. As pessoas possuem conhecimento, criam informação, controlam processos, e desenvolvem tecnologia e, com os indicadores somados ao seu conhecimento, modificam todos os outros criando ao mesmo tempo mais conhecimento. Mesmo apresentando serviços, processos e muitos outros produtos tangíveis, a verdadeira riqueza das empresas e organizações continua, a mais das vezes, intocada dentro da cabeça dos seus colaboradores. Muitas empresas nascem, vivem e morrem sem sequer perceber, quanto mais tentar aproveitar, esta fonte de vantagens.
Mudamos nosso modo de pensar, mudamos nossa forma de gerenciar, vemos a empresa como um todo e, ainda assim, mal percebemos as pessoas que compõem nossa organização. Cada uma delas com soluções para problemas rotineiros e conhecimento tácito modificado no dia-a-dia de sua função. Cada uma delas num ambiente igual mas separado das outras. Quantas dessas pessoas são necessárias para compartilhar o conhecimento na empresa? A resposta, segundo Steve Denning, ex-diretor do Banco Mundial, é símples: todas (http://www.fastcompany.com/blog/seth-kahan/leading-change/organizational-storytelling). Nas empresas que têm capacidade de aprender, capacidade de adaptação, que estão vivas, há um crescente movimento de adoção da Gestão do Conhecimento para sistematizar o aproveitamento desta nova fonte de riquezas. E, ainda assim é pouco.
O homem é uma entidade viva. Até antes das convenções sociais e aglomerações econômicas, ele é vivo. Ele aprende exatamente por causa disso. Mas, a linha dos mamíferos, uma das últimas e certamente a mais sofisticada da classe dos cordatos, pode ser considerada uma ilha de senescência dentre seus parentes evolucionários (Sapolsky RM, Finch CE. On Growing Old, The Sciences. Mar/Apr 1991).
O homem envelhece.
Históricamente a sociedade humana sempre tratou seus velhos, não com desdem, mas como um fardo. Haja visto algumas tribos que isolavam os mais velhos para morrer fora do local de habitação comunitária. São rarissimos os casos em que eles eram tratados com a dignidade e o respeito dedicado aos mais produtivos dos jovens. Vivemos, e mudamos muito, desde esses tempos bárbaros. A aprendizagem e o conhecimento fizeram com que nossa expectativa de vida aumentasse, quase que exponencialmente, desde a primeira tribo.
Hoje em dia, o homem antes de sair da adolescência, é capaz de aprender e, até se especializar, em toda sorte de ciências. Seu tempo em contato com informações e conhecimentos é muitissimo maior do que se comparado à geração imediatamente anterior. De tudo isto podemos deduzir que os velhos de hoje em dia sabem muito mais que seus antecessores. E, que pelas suas vivências e experiências profissionais, eles saibam muito mais do que jovens exercendo a mesma função.
Nos deparamos com uma situação que se repete demasiadas vezes nas empresas do mundo todo. Profissionais altamente competentes, acima de sessenta anos de idade, vistos como ultrapassados e senís. Trocados por ferramentas tecnológicas com limitações intrinsecas. Custamos a perceber, quebrando nossos próprios modelos mentais e blind spots, algo que é assumido por todos como muito natural – taken for granted. Toda uma riqueza de vivências, conhecimentos e memória organizacional ameaçada por convenções sociais e rituais atávicos.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Introdução - 1

O homem é um animal social. Como os macacos, alguns passarinhos, as formigas e as abelhas, e outros incontáveis animais. As diferenças estão no que o homem faz com o homem. Sua “humanidade” ou a falta dela.
A civilização é um dos produtos da existência do homem. É, talvez seu produto mais marcante. Ela (a civilização) o diferencia de todos os outros animais e marca sua presença em qualquer ambiente. A cultura, por outro lado, diferencia os homens por regiões geográficas ou locais.
O traço que fez do homem um criador de civilização e cultura foi sua intenção de transmitir seus atos e perpetuar sua passagem pela vida. E, para atingir isso inventa: os códigos.
Códigos - O que são e como são usados? Código é uma representação da realidade. Ou melhor; um conjunto de signos, sinais e normas de construção para a representação da realidade, seja ela um evento, uma idéia, um ambiente, um sujeito, ou uma combinação de qualquer destes elementos. Código apesar de ser fato, não é real. A natureza não precisa representação, nem está interessada. O código é uma criação arbitrária do homem. Como todas as criações do homem é falha e tem limitações. Mas, como todas as tragédias que sairam dessa Caixa de Pandora (o homem), ele (o código) muda e evolui com o tempo e com o homem. Somente ele, e alguns passarinhos quando no cio, representam a natureza. Ou, sentem a imperiosa necessidade de intervir nela.
Usamos os códigos, pois são vários, para comunicar e comunicar-nos entre nós. No nosso grupo social e, eventualmente com o concurso da tecnologia, entre grupos sociais afastados.
Lembremos que na nossa casa, nosso bairro, nosso país usamos um código comum a todos; a mesma língua. Os outros grupos sociais não necessáriamente utilizam a mesma. Nem são obrigados a usar a mesma linguagem. Cada país tem a sua própria mas mesmo entre regiões de um mesmo país, a língua sofre mudanças e adaptações.
Os códigos usados, com o passar do tempo, nem sempre acompanham o desenvolvimento tecnológico ou industrial –cultural– do animal homem. Eles sempre ficam um pouquinho aquém ou além de nosso desenvolvimento. Como se houvesse, entre criador e criatura, um sutil erro de paralaxe. Um péndulo que nos mantém sempre fora de equilíbrio e nos força a ir em frente, a um moto-perpétuo quase que imperceptível. Em que às vezes nos perdemos ao mudarmos de posição, de eixo para extremo e de volta ao eixo outra vez. E aquí nos confundimos e nos perdemos. Não entendemos, e aprendemos coisas novas, diferentes. Sempre.
Com o passar do tempo aprendemos e modificamos o conhecimento prévio, ao mesmo tempo em que criamos novo conhecimento. Isto acontece em todas as culturas e com todos nós. Isto acontece em todos os aspectos da vida humana. Em todos os saberes e ciências do homem.
O conhecimento humano é formado por informação, que por sua vez é o resultado do processamento de dados (aprendizagem). O conhecimento em sí, não é transmissível. Podemos explicitar e transmitir informação. Destarte, todo conhecimento derivado do processamento de dados/informações, da aprendizagem, é subjetivo.
Então a civilização é criada, mantida e, finalmente, modificada pelo conhecimento subjetivo. O conhecimento pessoal, único e paradoxalmente, igual em todos nós... humanos. Não igual no sentido de ser idêntico, mas no sentido de ser facilmente reconhecível se explicitado. Como os passarinhos quando reconhecem o canto dos seus semelhantes. A diferença está no que o homem faz com seu conhecimento. Sua “humanidade” ou a falta dela.
A “humanidade”, a grosso modo é definida como a capacidade que todos nós temos de reconhecer o certo e o errado e agir de acordo. Alguns chamam de consciência. Outros chamam e só dá ocupado. Há, dentre o primeiro grupo, aqueles que, sem esperar retribuição, lançam mão dos seus recursos e conhecimentos em benefício dos seus semelhantes. Eles são chamados de benfeitores, filántropos. Fazem filantropia.
“Filantropia é encarada por muitos como uma forma de ajudar e guiar o desenvolvimento e a mudança social, sem recorrer à intervenção estatal, muitas vezes contribuindo por essa via para contrariar ou corrigir as más políticas públicas em matéria social, cultural ou de desenvolvimento científico. A filantropia é uma das principais fontes de financiamento para as causas humanitárias, culturais e religiosas. Em alguns países assume um papel relevante no apoio à investigação científica e no financiamento das universidades e instituições académicas.” Diz o Wikipedia.
Alguns hospitais nasceram como entidades filantrópicas. Algumas entidades filantrópicas têm hospitais. A moderna estrutura dos hospitais –filantrópicos ou não– faz deles uma das maiores fontes de informação da nossa civilização. Neles são registrados o nascimento, a vida e a morte de quase todo ser humano. TODOS os hospitais têm um documento chamado: prontuário médico, onde é feito esse registro de cada um dos seus pacientes. Todos os hospitais têm um local específico, na sua estrutura, onde estes registros são arquivados. Estes registros são documentos legais, segundo a Legislação Brasileira. Depois de abertos, não se podem perder, são particulares e invioláveis. No entanto, se individualmente talvez nem dá para perceber, somados, os prontuários médicos são uma fonte de informação inigualável na pesquisa médica básica.
Um hospital com movimento médio (≥300 pacientes/dia) em dez (10) anos teria um volume considerável de documentos em papel e um incipiente problema de espaço físico que só a moderna tecnologia poderia tentar resolver. A transformação destes documentos em imagens microfilmadas alivia um pouco na questão do espaço, mas cria outros problemas no seu manuseio diário. E, sua transformação em documentos digitais deve ser acompanhada de cuidados extremos e de uma logística dinâmica, tanto para não perder a informação já existente nos prontuários antigos, quanto na possibilidade de inclusão de novas informações. E, ainda a facilidade de acesso às informações para casos de deslocamento de pacientes, futuras pesquisas e geração de inovação.
Inovação que é o resultado de processamento de informação e da criação de conhecimento, como podemos ver no esquema a seguir:

A vantagem competitiva somente existirá se essa inovação existir e for colocada em prática. Para poder aproveitar essa vantagem, precisamos primeiro reconhecer a informação geradora. Para obter este resultado a informação não pode ser tratada como dado abstrato ou evento estéril, sem significado.
É neste cenário que a Gestão de Conhecimento (GC) deixa de ser expectadora e passa a participar ativamente do processo. Não para criar informação, pois ela já existe até demais, mas para facilitar processos em que novos pesquisadores possam, usando instrumental por eles conhecido, criar novos conhecimentos e dai inovação. A GC melhoraria a relação entre a diretoria e a informação acumulada. E, principalmente, neste caso específico, a percepção da informação inicial pela gerência.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

The Good, The Bad and... Whathisname

Trocando idéias cheguei a conclusão que quando trabalhava às vezes me sentia perdido no meio do discurso dos outros. Mais ou menos como um rato se sente frente a uma naja. Eu sabia que teria que produzir um resultado com o material que me davam, mas não tinha a menor idéia de como ir-ia fazê-lo.
Não que não soubesse como fazer, era que simplesmente não havia modelos a ser seguidos. Era eu que, em última análise, teria que descobrir e fazer.
Como?
Ninguem queria, nem tinha o menor interesse em, saber como. "Tenho que entregar esse relatório semana passada!" parecia um mantra popular.
Eu acabei aos poucos me eliminando do processo. Fazia e pronto!!
O envolvimento que deveria haver com meu tipo de trabalho foi ficando cada vez menor, até que me ví frente ao resultado do processo como um estranho. Próximo!
Os estudantes viravam PhDs e MScs e eu sabia dos pés de barro.
Não sei se minhas escolhas foram certas (veja minha atual situação) mas sei que tenho bem menos medo hoje do que então.
Hoje meus medos são outros, mas sou capaz de me ver com muito mais perspectiva e acho que meus horizontes são bem maiores (para cima ou para baixo, não importa). Perdendo o medo de voar... ou estamos caindo?
Outras vezes uns Valium 20 ajudariam bastante.

domingo, 9 de janeiro de 2011

al-Jabr

Este post estava perdido no meio de vários outros inconclusos. Mudei aqui e alí e exponho agora. Divirtam-se.

Para Borgotti Neto; Uma noção de não linearidade pode ser apresentada na seguinte expressão: "Pequenos eventos (causas) podem proporcionar grandes conseqüências (efeitos) e vice-versa." Os sistemas dinâmicos funcionam mais para mapas climatológicos do que para razões matemáticas. Lembram as primeiras aulas de algebra, onde a simplificação a+b+c era igual ao grupo (a+b+c), mesmo que; a fossem maças, b fossem pedras e c fossem litros de água. A primeira vez que podiamos somar alhos com bugalhos sem problemas!
Era divertido!!
E muito mal explicado. Motivo de desgosto até hoje!
Tem uma teoria corrente que diz que para resolver problemas é necessário fragmentá-los em problemas menores, resolver estes e o problema maior será resolvido. Certo, tem lógica, não?
Errado!
Como crianças desmontando um relógio mecânico, depois de re-montar o problema acabamos com peças sobresalentes suficientes para montar um robozinho. (Lembra?)
Parecem pontos aleatórios lançados ao acaso. Nada mais longe disso.
Sistemas dinâmicos são intrinsecamente não-lineares. Algebra é a primeira visão dessa não-linearidade. Mapas climatológicos são uma das melhores representações gráficas de tais sistemas dinâmicos.
É somente uma questão de pontos de vista ou o quanto aceitamos, não nescessáriamente como verdadeiro mas como possível, factível ou o nome que mais lhe agradar.
E toda a descrição anterior para dizer: abrimos nossas perspectivas para horizontes bem mais amplos e começamos a perceber novas e inesperadas soluções para velhos problemas.

Angelouando

"The bird doesn't sing because it has an answer.
It sings because it has a song."

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Humanos

Fingimos ser civilizados e saber viver em sociedade. Zoociedade.
Vamos acabar sendo divididos em Elois e Morloks ou então, e mais provavelmente, numa mistura muito, muito mais perigosa: Eloks.
Quanto desperdicio!
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