segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ciclos

Comecei minha vida profissional como ilustrador e desenhista. Usava minha profissão para ajudar na transferência de informação. De professores para alunos, de professores para professores e para publicações. Fui um ilustrador científico por muito tempo antes de trabalhar com computadores e internet. A medida que desenvolvia meu trabalho entendí, aos poucos, o processo do qual participava. Algumas vezes mais rápido que outras. Algumas vezes mais facilmente que outras. Estava no meio de um processo bem maior.
Transformava conhecimento em informação para poder ser transformado em conhecimento novamente.

Tive a sorte -e ajuda- de ter contato com gente que antes de mim já tinha percebido o processo e participava ativamente dele. A Fiammetta Palácio, o Luis Carlos U. Junqueira, Humberto Torloni e Ricardo Brentani entre outros. Mas acho que só estes já deram parámetros suficientes para meu desenvolvimento. Lhes agradeço. Muito.
O resto era comigo.

Antes de poder desenvolver meu "produto" tinha que entender o que era e seria. Acabei no meio tempo aprendendo a aprender e a melhor explicar. Transformava processos em signos, gráficos e referentes. E, não tardou muito, fazia o contrario com igual rapidez. Me divertia com meu serviço e gostava de participar na descoberta de novas formas de completá-lo.

Processos mecânicos, repetitivos de laboratório (fotográfico) foram sempre meu horror! Saber o tempo certo, até o último instante e seu resultado esperado era exasperante. Mil vezes enfrentar um rabisco a ser transformado do que entrar numa cámara escura a processar filmes.
Confesso que não poucas vezes fiquei o dia inteiro fazendo isso. Sabia de cor, era mecânico mesmo. Minhas pupilas dilatavam buscando luz. Meus olhos pareciam olhos de esquilo quando saia de lá. Meu favorito mesmo era transformar a informação sem forma.
Pequeno desvio, volto ao assunto.

Dizia que cheguei à conclusão que estava no limiar de algo bem maior. Percebi que os processos de transformação e transferência aconteciam em vários niveis ao mesmo tempo. Em todos os sentidos, velocidades e ordens. Focando qualquer um desses processos, veriamos um caleidoscópio de múltiplas imagens respondendo à mesma quantidade de informação. Como em Anscombe. Ou fractais (me repito?).

Precisava de ordem ou explicação. Entender conhecimento e como ele transformava tudo a sua volta. Acabei fazendo pós-graduação (especialização) em Gestão de Conhecimento. Foi mais um passo à frente. Muitas coisas que antes suspeitava tomaram forma. Estou criando uma base formal acadêmica. Talvéz não tenha mudado muito pessoalmente, continuo sem olhos azuis, nem podendo tocar piano como Liberace. Mas agora consigo entender melhor, às vezes. Hoje percebo melhor os processos de transferência e transformação. Sei o nome e o conceito. Consigo focar e identificar. Acabou o temor da luz.
Consigo explicar.
Como fiz agora.
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